<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647</id><updated>2011-09-19T10:29:06.541-07:00</updated><title type='text'>toutinegra futurista</title><subtitle type='html'>Memórias quase póstumas de um espécime com tendências maníaco-depressivas, 
delírios conspiratórios e possível intolerância ao glúten.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>31</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-1430897822192560266</id><published>2009-10-02T07:26:00.000-07:00</published><updated>2009-10-02T12:39:42.616-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recitava Rosindo Pelourinho uns desgarrados versos de Baudelaire, exactamente no momento em que o encontrei no coro alto da capela. Gostava de se recolher ali, naquele Convento do Desagravo. Desagravava as suas agruras e recordava, com fortes laivos de masoquismo, o desaire estrondoso do&amp;nbsp;amor primeiro. Feliciana Vaqueirinho, natural de Porrinheira e um hino escultórico às canónicas proporções do corpo, deixou-o a ele, Rosindo, natural de Vila Pouca da Beira e um hino a algo que, de momento, não me ocorre, com aquilo a que o povo insiste em classificar como 'um monumental par de cornos' e um balde de latão para aparar as lágrimas. Era assim violentamente interrompido um primordial amor iniciado no baile de Verão de Vale do Coito. "La sottise, l'erreur, le péché, la lésine,/Occupent nos esprits et travaillent nos corps." "Então, Rosindo, agarrado a isso..." "Sim, já andei no Apollinaire... Sabes que sofreu, como eu... &lt;em&gt;Annie et La Chanson du Mal-Aimé&lt;/em&gt;..."&amp;nbsp;Tentando esquecer Feliciana,&amp;nbsp;entregou-se Rosindo a&amp;nbsp;Coimbra, onde mergulhara na literatura francesa e em todo o tipo de álcool, desde aguardente de medronho, tinto maduro, álcool da farmácia a 70º e a 90º, misturado metodicamente com chá de carqueja. "Quando li &lt;em&gt;Les alcools&lt;/em&gt;, Toutinegra, fiquei agarrado a isto: "Les anges les anges dans le ciel..." "Rosindo!!! Compõe-te, homem! Chega de lamúrias e lamechas! Chega de Francês! Até gosto e tal mas... vamos ao que interessa!" "Tens razão... desculpa." "Bem, conta-me o que sabes do gajo que viste em Estoi!" "Pois, ele estava nas ruínas de Milreu e retirou um papel de dentro de um buraco no chão. Desatei a correr atrás dele e ele deitou-me a língua de fora." "Sim... e tu..." "Eu fiquei furioso e com vontade de rir, ao mesmo tempo..." "Não é isso! O que fizeste?" "Nada. A Gilda é que o apanhou à porta e passou-lhe uma rasteira." "Quem é a Gilda?! "Não sei bem, acho que se apaixonou por mim na noite anterior e fomos os dois..." "Já percebi... Então e o papel do holandês?" "Eu apanhei-o! O tipo ficou meio zonzo com a queda e a Guida ainda lhe caiu em cima." "A Guida?" "Acho que sim." "Mas tu falaste em Gilda..." "Ah, pois é! Era Gilda, acho eu. Ficámos com o papel e deixámos o tipo atado nas ruínas. Atámo-lo com fio de pesca e deixámos uma etiqueta a dizer: 'O que tu queres sei eu!' "Porquê? Desde quando pomos etiquetas e atamos pessoas com fio de pesca?" "Pois, nãosei. Mas foi ideia da Gilda e a seguir fomos os dois..."&amp;nbsp;"Sim, calculo. E quantos litros de medronheira tinhas bebido?" "És pouco&amp;nbsp;esperto és... Entre mim e a Gilda, mamámos uma garrafinha ao pequeno-almoço..." "E o papel?" "É este: diz aqui 'torta de alfarroba' mas é para ninguém dar por nada. É 'bolo de requeijão', vê-se por baixo, a azul. Sabes que a Gilda tem umas ma..." "Chega! Poupa-me aos detalhes picarescos, rapaz. Estás na última..." "Mas é que tem umas mãos de fada... faz cá umas massagens, mon ami..."&lt;br /&gt;Despedi-me do Rosindo, dei baixa dele como operacional: demasiado álcool, demasiadas Gildas e Guidas, demasiada literatura! Pragmatismo e sensibilidade: um agente no fio da navalha... este, pelo menos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-1430897822192560266?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/1430897822192560266/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=1430897822192560266' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/1430897822192560266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/1430897822192560266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2009/10/recitava-rosindo-pelourinho-uns.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-7574785679663107207</id><published>2009-08-19T08:59:00.000-07:00</published><updated>2009-08-28T09:59:08.010-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O veredicto no verso da tela de Edmundo Tonaco: antes de ir a casa, o Butão. Segui para Dhaka, Bangladesh, e daí até Paro, num exíguo e anacrónico pássaro de ferro da Druk Air, Royal Bhutan Airlines, "Kingdom in the Sky", 'with diamonds'... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A chegada ao aeroporto, em Paro, foi normal, seja lá isso o que for. Tinha de ir até à fronteira terrestre, em Phuntsoling, e comprar o passe de acesso a Bumthang. À minha espera o muito amarelo e alegadamente desportivo turco Anadol STC 16, de 1975. "It is the number 176, the last one from the Otosan factory!! Glory, glory!!" Desenhado por Eralp Noyan, este "Sports Turkish Car 1600", uma mutação algures entre os Ford Cortina e Capri, seria tudo menos o carro ideal para percorrer o mais do que discreto Butão, por todos os motivos. Além do mais, o facto de ter esta viatura chegado até aqui era um feito algo estranho. Arun 'Dzongkha', orgulhoso descendente dos Lhotshampas e cuja alcunha se devia ao facto de ser um conceituado professor de dzongkha, a língua nacional, em Bumthang, via filmes do James Bond compulsivamente e entendeu ser esta a melhor solução para percorrer as estradas do reino: um desportivo &lt;em&gt;retro&lt;/em&gt;... Paguei a Arun dois milhões de &lt;em&gt;ngultrum&lt;/em&gt; por um exemplar do single em vinil da Suzi Paula "Visitas". "This is a heavenly voice, the portuguese Carly Simon." Nunca tinha visto as coisas por este prisma, felizmente... nem Suzi, nem Carly... Tinha que chegar em pouco tempo a Thinphu. Aí, sendo 2 de Julho, aproveitaria a agitação provocada pela comemoração do aniversário de nascimento do Guru Rinpoche para no 'Where-Else', bar do hotel Druk, encontrar o meu agente de &lt;em&gt;liaison&lt;/em&gt;, como diria o nosso ex-Mossad Zeev. Encostado ao balcão, um homem dotado de um farfalhudo bigode e de patilhas volumosas, disfarçado de campino ribatejano, fez-me um ostensivo 'pschhh!!!': tudo discreto no Butão... até o campino de tez nepalesa. Aproximei-me do espécime e este entregou-me o objecto-mensagem, no meio de uma grande trapalhada de copos no chão e um par de cuecas de senhora pendurados na camisa, presa a renda num botão meio partido. Tratava-se de uma touca holandesa do século XVIII, assassinada com o seguinte bordado: &lt;em&gt;Amsterdamsche Football Club Ajax.&lt;/em&gt; No forro, um voucher de noite gratuita no sofrível viveiro de baratas Karma Tobden Bumthang Lodge. Já em Bumthang, enquanto me preparava para um breve momento de descanso, ouvi, vindo da janela, um quase sussurado "Abre, Toutinegra! Sou eu, o Badana!" Era Zacarias, o nosso 'merlo eléctrico', um dos meus companheiros de academia e filho do melhor amigo de Grão de Bico, Francelino Badana. "O que fazes por aqui?" "Tens o single da Suze?" "Tenho... E foi caro! E não digas Suze..." "Pois, foi caro mas também sabes o que tens aí! Essa mulher a cantar é uma força da natureza! E é boa..." "Chega! Pois... talvez..." Suzi Paula era estrela no Butão, curioso reino este... "E a touca dos Países Baixos?" "Sim, é estranha... e para que a queres?" "Necessito dela para obter a tua autorização de saída! Tens de regressar a Paro e apanhar o avião!!" "Pois, tens razão." Percebi na sua voz a hesitação que o denunciava. Há bastante tempo que os serviços secretos chineses o vigiavam. Em Thinphu avistei, em pose de sedução junto de uma stripper norte-coreana, um dos capangas do tempo de Liu Fuzhi. Estava disfarçado de empresário espanhol da construção civil e obrigara a Stripper a tratá-lo por Manuel Ramirez ou Señor Ramirez. O 'Señol Lamilez' carecia de inteligência, da mais básica e seguia a sua presa como um predador ruidoso... Zacarias Badana sentia, com fundamento, muito medo. Rumámos a Paro, a bordo do muitíssimo amarelo Anadol STC 16, eu ao volante, Badana no acanhado compartimento destinado às bagagens. Meti-o no avião, rumo a Amesterdão, e saí, por terra, do Butão. Tive de dar uma foto autografada de Manuela Ferreira Leite em fato de banho, em Manta Rota ao miope guarda de fronteira, convencendo-o de que se tratava de uma tia-avó de Brigitte Bardot em Cannes. O Anadol resistia e, em breve, poderia chegar a Itahari, no Nepal. Levantava o avião, em Kathmandu e pude enfim ver o pequeno livro que a hospedeira me colocara no bolso direito do casaco. Na contracapa de &lt;em&gt;Sete receitas nepalesas de coelho fingido em papelottes&lt;/em&gt;, do Chefe Joseph Pinto de Souza, as coordenadas: 40°18'26.83"N; 7°55'3.29"W. Do Butão para casa, at last...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-7574785679663107207?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/7574785679663107207/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=7574785679663107207' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/7574785679663107207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/7574785679663107207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2009/08/o-veredicto-no-verso-da-tela-de-edmundo.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-6991720918456020125</id><published>2009-08-17T06:39:00.000-07:00</published><updated>2009-10-02T06:20:59.771-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Passei aquela noite inquieto! Talvez fosse o velho colchão de lã, os percevejos que faziam lembrar um dia de peregrinação em santuário afamado, as aranhas de diferentes espécies tecendo e entretecendo os seus condomínios de luxo. Aquela velha casa do Arquimedes Buchanga era, em bom abono da verdade, um estádio olimpico de ácaros, uma espelunca repleta de bicharada e tecidos andrajosos mas um refúgio à prova de qualquer manobra de contra-espionagem ligeira ou profunda (um dia teorizarei sobre estes e outros conceitos). &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apetece-me hoje voltar àquele dia: é assim a amizade. Conheci o Arquimedes em Coria. Andara a monte pela Sierra de Gata, depois de uma suspeita de crime passional alegadamente cometido em Badajoz. Na altura, a paixão por Conchita Luengo e a sua também alegada traição tinha levado Buchanga à loucura. "Buchi", como era conhecido, fugiu clamando a sua inocência, gemendo e chorando num vale de lágrimas...&amp;nbsp;Estando eu em Coria e sabendo que Conchita tinha sido contratada pela nossa congénere peruana, foi com naturalidade que descobri tratar-se de mais uma vítima do torcionário extremeño Casimiro Lomado. Veio Buchi ter comigo a Descargamaría , no vale do rio Arrago. Seguimos depois até Moraleja, onde recolhemos o alguidar com a carne já temperada para a festa. "Esta ternera é fantástica! Estou satisfeito por teres vindo salvar-me. Quem és tu afinal?" Sabia que viria esta pergunta, repetida anos mais tarde até à exaustão no genérico da série 'Zé Gato'... "Vou-te dizer apenas o que necessitas saber: estás livre de qualquer acusação e és um tipo versátil, um camaleão da serra!" Aceitou entusiasmado a proposta de formação e integração dos nossos quadros. Frequentou todos os módulos e executou todas as missões probatórias com afinco. Arquimedes impulsionara a sua vida com convicção. Foi no largo da Catedral, em plena Fiesta de los Toros de San Juan, num tórrido 23 de Junho, que selámos o nosso acordo com um abraço fraternal e um forte odor a suor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Voltara eu a Coria, encruzilhada tremenda, para sob protecção da discretíssima e ultra-fiel unidade de Buchanga poder entregar o tubo número 23, recuperado no Lesoto. Nas traseiras da igreja paroquial de Robledillo de Gata, esperava-me Alonso Godoy. "Toma. É o tubo 23." Godoy, numa excitação quase pueril, murmurava "No me lo creo, no me lo creo, el 23..." "Acalma-te, Godoy! Porra!! Agora, preciso que me dês a prova, já!" "Entregou-me uma folha de papel pardo na qual estava escrita a letra de 'La Campanera', tema celebrizado por Joselito, Jose Jiménez, o pequeno rouxinol. E era esse o som pouco discreto que brotava do velho e pouco estimado Seat Fura. O tubo 23, contendo a tela de Edmundo Tonaco, 'Sementes de sésamo ao sol de Nagasaki', seguiria em direcção a Amesterdão. No verso da tela as coordenadas da próxima etapa. Joselito continuava estranhamente a ecoar na minha mente como uma bola de bilhar às três tabelas: "Ay! Campanera... aunque la gente no crea, tu eres la mejor de las mujeres porque te hizo dios su pregonera. " Rouxinóis e toutinegras... Ay campanera... &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-6991720918456020125?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/6991720918456020125/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=6991720918456020125' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/6991720918456020125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/6991720918456020125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2009/08/passei-aquela-noite-inquieto-talvez.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-533284896305688464</id><published>2009-08-05T04:21:00.001-07:00</published><updated>2009-08-06T07:10:29.208-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Seguimos pois o rasto de azeite. Veio até à minha memória, como brisa perto de estação de tratamento de águas residuais, a minha intriga familiar com as latas de conserva...&lt;br /&gt;No cruzamento à entrada de Thabe Tseka, um homem com cachecol e gorro da 'Manilhas Plumbers' fez o sinal de boleia. "É o meu compadre Tomba Tukha. Converteu-se recentemente ao catolicismo. É uma história de amor imposível por uma lançadora de peso e ex-modelo da Suazilândia que se converteu e ingressou na Congregação de Santa Brígida... É ele quem nos vai dar as munições. Tens a foto." Tirei da segunda sub-algibeira interna a fotografia do Embaixador da Áustria em Madrid com uma enorme ratazana de quatro quilos, proveniente do Convento de Mafra na mão, qual troféu de caça. Em troca, um sorriso e uma caixa da importada Chibuku Beer com doze embalagens de Limpol, detergente concentrado para a louça. Chegados ao final da subida, uma casa apalaçada mostrava a imponente fachada. O cheiro a azeite era cada vez mais intenso. Estava na hora filtrar toda aquela gordura, colocando os cones de papel pardo nas narinas. Utilizei a minha 'keytuga', &lt;em&gt;made in&lt;/em&gt; Azaruja, pelas mãos de Joaquim Franzina: o portão cedeu em dezassete segundos, menos cinco do que o tempo de activação dos Câmaras de vigilância. Ao fim de vinte e dois segundos à porta, dois dos 'apóstolos de Hermano da Câmara' assumiriam o posto de vigia, implacáveis. Entrámos e irrompemos aspergindo detergente sobre os pontos de fuga do azeite e deparámo-nos com a fortaleza vazia. No átrio-biblioteca jaziam, espalhadas pelo chão, 666 cópias contrafeitas, reles fotocópias, das &lt;em&gt;Lettres d'amour d'une religieuse portugaise, &lt;/em&gt;de Mariana Alcoforado, publicadas em Colónia, em 1669. Avançámos pelo largo e untado corredor. A porta aberta desembocava numa divisão enorme. No seu interior 1332 exemplares de "Bruma Azul do Desejado", gravado por Frei Hermano da Câmara, em 73 com o Quarteto 1111, divididos em duas partes iguais e dispostos simetricamente em duas estantes nas paredes Nordeste e Sudoeste. Sabiamos ter penetrado o reduto do 'Salão Bicarbonato de Sódio': o Panaceia e a sua corja estavam perdidos. No chão uma carta do Motary Clube a convidar o crápula para um dos seus jantares, no qual seria apadrinhado e medalhado. Nada que não estivesse já previsto...&lt;br /&gt;Saímos e embalámos pela estrada íngreme o nosso fogoso DKV. Mais à frente, em fuga, as tropas do Diácono, 37 descontentes ortodoxos dos "Apóstolos de Santa Maria", comunidade fundada pelo conçonetista-frade, também conhecidos por "Arautos da Misericórdia Divina". Faziam-se transportar num Seddon Mk6 do ano 1952, blindado e 'adaptado ao combate do demo', de acordo com a faixa colocada no vidro traseiro. O vetusto motor Perkins P6 tinha de arranjar forças para transportar dois tanques em pvc, contendo, cada um, 333 litros de água benta no tejadilho, estando ambos ligados a um aparelho de aerossóis sónicos capaz de pulverizar tudo e todos num exorcismo desesperado. A imagem daquela máquina gigante de micro-pulverização de água benta em suspensão no ar, a descer a colina ao som da voz de Hermano Vasco Villar Cabral da Câmara, com 37 bravos 'apóstolos-arautos arrependidos', de túnicas amarelas e toucas cor-de-rosa, empunhando os enchouriçados e doutrinários 'tubos da justiça' era arrepiante. Os 'tubos da justiça' consistiam nos '69 mandamentos alternativos do Místico Panaceias', impressos em formato A4 e enrolados. No seu interior, um chouriço de S. Manços, especificamente desenhado para caber no tubo, misto de código de conduta, bastão e ração de combate.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Orlando Manilhas, furioso, cortou caminho e, quando o velho autocarro chegou ao cruzamento, já nós o aguardávamos. Panaceias ligou os pulverizadores e todos entoavam epicamente, em simultâneo, trinta e sete composições diferentes do monge-fadista. Suportámos sem pestanejar. Subitamente, um dos apóstolos começou a cantar 'Cavalo Ruço' de Nuno da Câmara Pereira e o caos gerou-se num ápice. Os trinta e sete arautos da misericórdia fraquejavam e soçobravam um após o outro, deixando os justiceiros tubos de papel com chouriço entregues ao pó da terra. O Diácono tentava animar as hostes aumentando o débito de água benta e gritando 'Todos a uma só voz!! Não vos desgraceis!! Conservai os Tubos da Justiça, não sois nada sem Eles!!!'. Foi uma questão de tempo para que a capitulação se consumasse ali, perante o nosso olhar paciente e a nossa postura de aço.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repatriado Panaceias para a sede da agência e desmantelada a sua organização, estávamos agora em condições de proceder ao confronto dos documentos encriptados. Estava mais longe o fim do nosso mundo como o conhecemos. "Mal por mal, estamos melhor como estamos" desabafava, exausto, o Orlando. Talvez... Veremos!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-533284896305688464?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/533284896305688464/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=533284896305688464' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/533284896305688464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/533284896305688464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2009/08/seguimos-pois-o-rasto-de-azeite.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-3986031228101705848</id><published>2009-08-04T14:25:00.000-07:00</published><updated>2009-08-06T06:53:20.227-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Aeroporto de Maseru, Lesoto, esse olimpo de contradições encaixado, para o bem e para o mal em plena África do Sul. As indicações obtidas em Ushuaia não deixavam qualquer margem para fracasso. Revelava-se o líder da Grande Ofensiva! Procurar o auto-proclamado Diácono Panaceia, criatura nascida em 1948, na modesta aldeia de Brufe, era mais difícil que encontrar gelo nos trópicos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esperava-me Deolindo Fronhas. No corpo, o traje académico de Coimbra; no exterior da cabeça, um boné das 'Carnes Fronhas', salsicharia que a sua hirsuta esposa comandava em Durban; no interior da cabeça, um imenso vazio: "Aqui tens a chave! Boa sorte!" Olhei em redor e deduzi que seria o carro verde escuro com uma inscrição na porta 'Gabriel Alves AB-/Rui Tovar O+'. Entrei no DKV de 1962 e, com o girar da chave no canhão da ignição, soltou-se das goelas do leitor, oportunista, a voz de Clemente: 'Zzzz, sou uma abelha, sempre em busca do mel..." Cortei o pio àquele intragável tratado de apicultura pseudo-popular e arranquei com destino a Teyateyaneng. Aí recolheria o único operacional de que necessitava, Orlando 'Furioso' Manilhas. " Fizeste boa viagem, amigo Toutinegra?" "Regular, gente estranha no avião..." "Não sejas racista..." "Não é isso! À minha frente vinham dois tipos que só falavam com um &lt;em&gt;vibrato &lt;/em&gt;impressionante..." "É gente que se vem oferecer ao Panaceia! Falam todos à Frei Hermano da Câmara!" "Foi o que me pareceu! Seria sempre gente ligada a Câmaras, ao frade Câmara ou ao Câmara Pereira... aquele &lt;em&gt;vibrato&lt;/em&gt;..." "Sim, terrível... Bem, segue em direcção a Maputsoe e depois segue em direcção a Thaba Tseka! Rápido!" "Mas... este caminho é mais longo..." "Sim, mas bem mais bonito..." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chegados ao destino, restava-nos o &lt;em&gt;ultimatum&lt;/em&gt; ao Panaceia. Custava-me a hipocrisia, relativamente a esta operação, dos membros do distrito 1967 do Motary Clube. Eles tinham informações falsas que não hesitaram em facultar. Teriam de fazer melhor se me queriam fora do Lesoto! Seguiríamos o rasto do azeite Extra Virgem da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos. O Diácono não passava sem ele, o golpe seria certeiro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-3986031228101705848?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/3986031228101705848/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=3986031228101705848' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/3986031228101705848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/3986031228101705848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2009/08/aeroporto-de-maseru-lesoto-esse-olimpo.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-6066209243793769413</id><published>2009-08-04T07:26:00.000-07:00</published><updated>2009-08-04T14:25:28.047-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A passagem por Berlim, intensa, cheia de revelações relativamente aos processos de recrutamento pendentes, mostrava a vitalidade da agência em terras europeias. Tempo de ir para outras paragens: 'There is no rest for the wicked' e a alta espionagem, como a alta costura ou a alta cozinha são sempre a mais incompreendida pedra angular do progresso humano.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Num piscar de olhos, aterrava em Ushuaia, rumo a Tolhuin: o fim do mundo, literalmente. Ali, na costa Leste do Lago Fagnano, aguardavam-me o quase esquecido Ubaldo Matildo Fillol e Mario Alberto Kempes, dois dos heróis do mundial de 78. Fillol, 'El Pato' continuava prudente, à guarda-redes; Kempes continuava explosivo, à artilheiro. De cinco em cinco minutos repetia a sua maior glória, os dois golos marcados à Holanda na final... Kempes surgiu na 'Panaderia La Unión' vestido de bailarino de flamenco e 'El Pato' totalmente camuflado com o seu fato de aborígene: 'Los nativos, Touti, siempre los nativos." Tolhuin significa, em língua Selkknam 'parecido a coração', repetia Fillol. Ao longe via-se uma pickup Mazda de cor alaranjada com um tosco condor autocolante no tejadilho. "Es Antonio Maidana, el surdo." Riram ambos ruidosamente. "Eu também sou 'surdo', excepto a disparar as quinze balas da minha IMI SP-21 Barak! Nem todos os portugueses se deixam enganar. Sou o Toutinegra, Pato, tens de fazer melhor!" Rimos todos: era a sua partida preferida, a confusão 'surdo-sordo'... Fillol seria facilmente um Badaró argentino... Fomos ter com Maidana que nos esperava. O Canhoto, como era conhecido no mundo lusófono, estivera como mercenário a soldo dos franceses na Guiné com o insondável Coronel Camões, em 67, e ficara sempre disponível. Era, presentemente, o dono de uma peixaria-livraria, um conceito do fim do mundo. Era, no sentido mais hardcore possível, um dos grandes nomes da secreta argentina, 'el tiburón de La Plata', 'el Tarzán de San Martin'! "Que camuflgem exótica! Porque está vestido de Carmen Miranda?" "No es camuflaje. Trabaja como 'drag queen' en Ushuaia y tiene un espectáculo por la noche." Achei prudente não comentar. Entreguei a 'El Surdo' o exemplar de &lt;em&gt;São Banaboião anacoreta e mártir&lt;/em&gt;, de Aquilino Ribeiro. Olhou-me com respeito e disse-me com emoção contida: "Entre nosotros se ha echo presente el espíritu de Héctor Casimiro Yazalde..." "Achei prudente não comentar, desta vez para não ferir susceptibilidades: Kempes não suportava a concorrência, nem morta e, na verdade, a famigerada fórmula do bolo de requeijão já tinha dado a volta ao mundo encriptada nos mais diversos livros e não havia maneira de ser feito o cruzamento definitivo com o Estatuto da Carreira Docente Universitária. Mais grave ainda, intensificava-se a movimentação das forças afectas à Grande Ofensiva, liderada pelo Diácono Salvador Panaceia desde o seu reduto inexpugnável, sem que as garantias da parte da nossa rede fossem inequívocas. Acenei como sinal de respeito mas impunha-se que o meu périplo fosse cada vez mais célere. Deixou-me na mão, como quem oferece um talismã, um talão com a senha de acesso ao bar de strip em Ushuaia onde o duro agente encarnaria Maria do Carmo Miranda da Cunha, o rouxinol de Marco de Canavezes. De dentro da pickup saía uma gravação de &lt;em&gt;Alô... Alô?&lt;/em&gt;, gravada com Mário Reis e o Grupo do Canhoto... Saí, esperando que, no final do seu frutado e emplumado show, alguém me desse, finalmente, a cópia remasterizada do clássico mudo &lt;em&gt;Adiós Argentina, &lt;/em&gt;de Mario Parpagnolli, do longínquo 1930... Hasta la vista, amigos y "Don't cry for me..."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-6066209243793769413?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/6066209243793769413/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=6066209243793769413' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/6066209243793769413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/6066209243793769413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2009/08/passagem-por-berlim-intensa-cheia-de.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-3924138724055442951</id><published>2009-06-14T08:50:00.000-07:00</published><updated>2009-07-12T14:12:40.790-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Enfrentaria enfim Berlim pelas projecções ósseas do crânio, sabendo em que me metia. Esta expressão, aludindo às lides tauromáquicas, nunca foi do meu agrado mas é, ainda assim, eficaz. E antes na cara do touro do que como rabejador.&lt;br /&gt;A entrada por Leste, após o suave tocar do Boeing no solo de uma das pistas de Schönefeld, a viagem tornada ainda mais curta pelo Ford Granada 2.8 Ghia &lt;em&gt;stationwagon,&lt;/em&gt; de 1980, conduzido por Yilmaz Nasreddîn, a chegada ao apartamento na Schützenstrasse, pela calada da noite. A voz de Volkan Konak, interpretando Gardaş na espantosa alta-fidelidade da viatura fez-me ficar mais um pouco no banco de trás: “Pouco falámos. Como estás?” “Bem, sabes que não me atrapalho”, respondeu no seu fluente português aprendido com empenho e talento, por amor eternamente jurado a Adrilete Sezões, portuguesa, nascida em São Lourenço de Mamporcão, criada cidadã do mundo, residente em Berlim, detentora da “Azeitona Dourada” de 1992, distinção conferida por coragem, astúcia e eficácia extraordinárias, reveladas no terreno. “Queres ficar já aqui ou ir jantar connosco. A Adrilete gostaria de ter rever.” “Fica para depois. Tenho ainda muito que fazer e desfazer até ser dia outra vez...” “Compreendo. Amanhã, ponto V, 12.00.”&lt;br /&gt;Deixei as coisas no apartamento. Ainda andei uns metros. O peso do ‘Mauer Museum’ sentia-se, como um manto, a prova da ‘gewaltfreien kampf’. As inscrições com o traçado do muro no chão, o sobrevivente Café Adler, no 206 da Friedrichstrasse, frente ao folclore do Checkpoint Charlie e do seu “You are leaving the American Sector”, tudo quase silencioso, quase memória a materializar-se.&lt;br /&gt;Estanquei estes pensamentos e, deixados os ‘pastéis de massa tenra’ no apartamento, passei pela ‘Trattoria Lungomare’, na bem próxima Krausenstraße. Esperava-me aí o muito alemão e nosso agente Arkadius Göhre, recrutado em S. Bento de Ana Loura, na mesma fornada da “Didi” Sezões, como à data era conhecida. Este porto seguro de boa comida era insuspeito, mesmo para as agências mais desconfiadas. Zeev Munweiss, o agente Mossad mais volatilmente mortífero do Hemisfério Norte já ali almoçara uma carbonara explosiva com um arrependido das Brigadas Essadim al-Kassar. Tudo fora gravado, encriptado, transcrito e as cópias enviadas sob a capa do livro de Júlia Pinheiro Não sei nada sobre o amor. Na mesa seis, Zeev declarou o seu amor a Ahmed e este, lacrimejante, pediu-lhe que o deixasse eclipsar-se em Berlim para sempre. Diz-se que Zeev tem faltado aos alertas de missão da Mossad. Guardaremos esse segredo para sempre, embora o Arkadius me tenha referido que alguém julgara ter visto Zeev no muito ‘gay friendly’ Hafenbar. Trocámos as peças ao som do Conjunto Diapasão o que é, só por si, um teste à concentração... a voz de Marante... Enfim, Arkadius descobrira esta pérola... “Deixaste os ‘pastéis’ no apartamento?” “Claro, quem os vai buscar?” “A Didi, disfarçada de camponesa soviética.” “Porquê? “Queres que a reconheçam?” “Pois... vocês saberão o que fazem.” “Céptico, Toutinegra?” “Nunca, apenas a testar, sabes que é importante na vossa avaliação a validação e ressignificação simbólica dos procedimentos...” “Claro!”&lt;br /&gt;Saí, voltei ao apartamento e chamei o Yilmaz: “Podemos estar a comer gato por lebre!” “A Didi já sabia. Há dois meses que o Arkadius perdeu o Norte. Falaste-lhe na ressignificação dos procedimentos e ele respondeu ‘Claro’” “Exacto. Assim fica tudo confirmado. É pena.” “A Didi já tem outra estrutura em processo de constituição. Terás de autorizar apenas a verba. O Zeev é nosso!”&lt;br /&gt;Finalmente uma luz ao fundo do túnel: tínhamos Zeev e o Zeev tinha a nossa protecção. Uma nova era para a APEDIR. Nascia o sol, apenas tempo para uma visita à Unter den Linden, da qual talvez fale mais tarde e, no ponto V, às 12.00, o Ford Granada: ao volante Adrilete “Didi” Sezões. “Sabes que podes aspirar a ser agraciada com a ‘Azeitona Dourada’ de 2009? Arriscas-te a isso...” “É um prazer rever-te. Tens aí uma cópia do Livro da Júlia Pinheiro para leres no avião. E agora, segura-te bem. O meu Yilmaz é calmo a conduzir. Eu não brinco em serviço.”&lt;br /&gt;E não brincou embora algumas montanhas russas sejam mais lentas do que o regresso a Shönefeld. “Até à próxima. Tens aí tudo o que precisas. O das Murtas aguenta-se?” “Vai-se fazendo. Ainda saudosista mas já maduro, sabes...” “Perfeito! Agora olha para a esquerda... Sim, é o Zeev...” “E o outro? É o...” “Sim... Toutinegra, outros tempos pá ...” “Pois... É a ressignificação de...disso.”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-3924138724055442951?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/3924138724055442951/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=3924138724055442951' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/3924138724055442951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/3924138724055442951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2009/06/enfrentaria-enfim-berlim-pelas.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-5401923362606122817</id><published>2009-04-26T04:47:00.000-07:00</published><updated>2009-04-27T10:55:43.871-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ocorreu-me o mesmo que no primeiro episódio relatado neste espaço. Subitamente, a premência de ir a Nova Iorque. Subitamente não via ponta de um corno! "O impossível não acontece duas vezes: roubaram-me de novo as lentes", pensei. Ouvi em bom português: "Estão aqui umas novas, Toutinegra!" O gravador, programado para as oito e cinquenta e dois, disparou esta novidade. Aldemiro Capão, abençoado com o previsível cognome de 'Al Capone' português, rei dos meandros do Meatpacking District e das suas surpresas, reservara uma desnecessária troca de lentes para me presentear... o costumeiro alaredear do dinheiro. Tinha pouco tempo para explorar mas deu para ver claramente: esta zona já não é o que era: o mundo obscuro de talhantes, prostitutas e 'reis da noite' de dedo ligeiro no gatilho, o odor a gangster saído de espelunca de alterne tinham dado lugar a uma zona 'chic'. Lera, numa daqueleas revistas de viagens, que aquele, entalado entre os bairros de Chelsea e West Greenwich Village, era o lugar para FPPO, 'for pretty people only'. Nem Al nem eu podiamos ser catalogados como 'pretty people'. Bem, eu talvez... em sentido muito lato, ele... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas agora o nosso negócio era mesmo carne, 'meatpacking' ou, em abono da verdade, evitá-lo. Como diria a outra, já abundantemente citada, "não há coincidências" e o facto de ter encontrado uma lata de atum Tenório à saída do loft ' so fashion' que o Al me disponibilizou, tinha uma leitura simples. Vieram-me à memória as palavras do meu primo Godofredo Buganvíllia: "Às vezes, caro primo, uma lata é apenas uma lata, como um charuto é apenas um charuto. Outras vezes tens de ler o que está na lata..." Obcecado com a excelsa qualidade da referida marca de atum, o primo Godo referia-se estritamente ao prazo de validade do peixe sabiamente acomodado nas latinhas com a foto de um senhor portador de hirsutas patilhas. Havia contudo ali mais verdade do que aquele pobre diabo alguma vez pode congeminar, bem para lá do facto de ser, como ele reiterava 'uma empresa que garante atum não alimentado com rações transgénicas'. Tratámos da libertação dos dois estagiários portugueses cuja chegada a Bujumbura, Burundi, esteve por um fio. Para eles, identidades novas, casas novas, novas oportunidades, diria um certo engenheiro. Por que motivo foram ter a Nova Iorque, àquele lugar, às mãos do assassino carniceiro Pippo Tragollini será um mistério que não poderei jamais revelar. Reste ao leitor o consolo de saber que tudo terminou bem, à excepção de se ter comprometido a secção do Burundi. Nada que eles não tenham já resolvido.&lt;br /&gt;Fez Al questão de me levar a sua casa. Um outro loft, muito design, muito dinheiro investido em ser o 'tuga fashion' da zona. A denúncia ignóbil vinha do sistema de som que, por todo o lado fazia ecoar a voz de capão do Armando Gama, repetindo sem dó aquilo que, se tivesse dito ao ouvido de Valentina Torres, teria sido não apenas um pequeno passo para o Armando mas, sobretudo 'a giant leap for mankind' :"Linda, linda, esta balada que te dou..."&lt;br /&gt;O adeus a NY com a evocação e a saudade das maravilhas que as doces mãos de Ercíla Franjoso (sempre recusou o Capão do marido) podem fazer. É provar os seus bolos fintos e perceber porque foram à loucura tantas gerações de gente daquele 'Meatpacking District' e por que razão Aldemiro Capão tem o património imobiliário que tem: "Não há coincidências", não há mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já no avião, um exemplar autografado de &lt;em&gt;A arte de fazer barris sem aduelas&lt;/em&gt;, de Wilhem Blöch, traduzido por Vasco Garça Moira.  Uma surpresa, em tantos sentidos... "Para o TFuturista, o meu nome escrito a oiro. Que enfrentes bem Berlim e pelos cornos o toiro."&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-5401923362606122817?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/5401923362606122817/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=5401923362606122817' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/5401923362606122817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/5401923362606122817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2009/04/ocorreu-me-o-mesmo-que-o-relatado-no.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-7020926099132464938</id><published>2009-04-19T07:59:00.001-07:00</published><updated>2009-04-27T10:58:06.252-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;(Relatório de Toutinegra das Murtas: referência 02/ST-TdM)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"A entrada do clube Tahiti é como se esperava...escura, enfumarada, garrida, generosa em corpos. Cheira a puro havano, suor, sacrifício e papoila. Estou condenado, conseguirei resistir-lhe ? Do bar insinuam-se as duas adolescentes turcas, gesticulando lubricamente para que as siga através duma empanada artesanal. No varão, dança acrobaticamente uma mulher já acerejada, mas elegante, carnes firmes, de rosto caliginoso e padecido. É Maria Irene, a Tigresa, como foi conhecida, num tempo ido em que todos os paises dignos tinham o seu grupo activo, fosse a Euskadi ta Askatasuna, de Maria Irene, as Brigate Rosse, o IRA ou a Rote Armee Fraktion. Agora começo a perceber tudo, estou em Stuttgart, a fundação da RAF, terei sido atraído para uma armadilha? Ainda tínhamos contas a acertar...não consigo deixar de olhar para Maria Irene, o tempo passou benevolamente por ela, a graciosidade com que se move em nada se assemelha ao que me lembro dela. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não a via há cerca de 20 anos, altura em que eu ainda trabalhava para a FIRMA e só micava em Território Nacional. O calor na margem esquerda é abrasador e pelo meio das bonitas &lt;em&gt;Cistus ladanifer&lt;/em&gt; não se vê nada. Desço até ao Chança pela enésima vez e nada dos etarras que se espera que venham assaltar o antigo paiol das minas pelos explosivos que lá se encontravam enterrados, antes da nossa investida. Dias antes, após uma sessão de confissão forçada ao som de "Ai malhão, malhão / Fora a foice e o martelo / Abaixo os oportunistas / E os fascistas do Marcelo", um FP, "cujo nome não se pode dizer por ser politico eminente", tinha informado a FIRMA que iria ser transaccionada uma quantidade significativa de explosivos entre as FP e a ETA e que a Tigresa viria pessoalmente mediar o negócio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O ponto de passagem seria uma barca no Rio Chança e que o destino seria um veículo já em Espanha, provavelmente em Rocha Peluda, devido à proximidade com o Quartel-general do movimento em Chalet del Coto. Pena do Corvo, Horta dos Coelhos, Alcaria, Barranco do Vale Covo, Serrão, Geraldos, Cerro dos Ladrões, Fonte da Medronheira, Chumbeiro e Horta da Perdigoa, já cerca de Santana de Cambas, tudo vasculhado sem descanso, em cima duma fiel R80GS e nada da Tigresa. Opto por regressar ao Paiol, na margem da Barragem grande, encosto a GS a um eucalipto, desfruto da sua sombra, observo as &lt;em&gt;Hirundo daurica&lt;/em&gt;. Aqui não sou útil. A FIRMA tem as imediações do Paiol bem protegidas. Soa o alarme. Foi identificada actividade suspeita junto ao Malacate. Apresso-me na direcção do antigo poço, mas já vou tarde. Posicionados na boca do dito poço n.º 6 e na Torre do Relógio, os Bascos fustigam os operacionais da FIRMA com paiolas de Barrancos, Tâmaras frescas, Satsumas e Topinambos. Os operacionais da FIRMA posicionados em frente às oficinas, em campo aberto, caem que nem &lt;em&gt;Turdidae&lt;/em&gt;. Valorosos, Arlindo Lampreia e Domitília Velela vão tentando ripostar com Escorcioneira e Batata-doce, pelo menos até à chegada dos companheiros que se encontravam no Paiol. Perdemos bons companheiros naquele dia. Ao longe, uma das 3.000 G3 desviadas pelo Capitão Fernandes para armar os Conselhos Revolucionários, vai esquartejando o que resta da FIRMA. No corpo a corpo degladiam-se a Narceja e a Galinhola. Com a chegada dos reforços de artilharia, as posições bascas são bombardeadas com Farinheira, Morcela e Chouriço Mouro. É impossível respirar com o pó da canela, pimentão-doce e orégãos misturados com o enxofre das pirites cúpricas. Espirra o Lusitano, bufa o Basco. Arlindo Lampreia, já estucado, afoga-se numa poça de Lomos Embuchados. Há bascos em debandada, borrados pelo excesso de inalação de especiarias várias. Entre eles destaca-se uma mulher, jovem, olhos cinzentos, roupa militar caqui, boina guevariana, é ela quem vai dando cobro à retirada basca, é a Tigresa. Ao som de "Druze Tito, mi ti se kunemo, / da sa tvoga puta ne skrenemo/" entoado pelo Joaquim Réblochon, aquem nunca conseguimos tirar a veia marxista, limpo as marcas daquele Fuet Extra que me atingiu em cheio e corro para a fiel GS, no encalço de Maria Ines. A perseguição decorre pelo antigo caminho-de-ferro mineiro na direcção Sul. Eu na GS, os Bascos num C303 Laplander. Passamos a toda a velocidade pelo cenário de podridão, desperdício e abandono, ao jeito de Hayao Miyazaki, em Moitinhos e Minas Quarto, o Laplander não me dá hipóteses e acabo por perdê-los. À sorte tento o desvio na direcção de Lagoa e Fonte da Medronheira, a mais provável travessia do Chança. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A barca já vai a meio, sem os explosivos, mas muitos companheiros precisam de ser vingados. Numa tentativa desesperada e em evidente desvantagem númerica lanço o derradeiro ataque, a partir da cota 102, usando um lança morteiros municiado com maracotões de alcobaça. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A barca cede à precisão lusa e afunda nas águas rápidas do Chança levando com elas os 4 bascos e a Tigresa...julgava eu até hoje."&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-7020926099132464938?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/7020926099132464938/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=7020926099132464938' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/7020926099132464938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/7020926099132464938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2009/04/entrada-do-clube-tahiti-e-como-se.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-1731388281352060448</id><published>2009-04-07T04:28:00.000-07:00</published><updated>2009-04-10T14:33:40.875-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Aos caros leitores o ardiloso labor do 'novo' agente, Toutinegra das Murtas.&lt;br /&gt;Relatório da missão em Estugarda (data encriptada):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Caro Irmão &lt;em&gt;Sylvia&lt;/em&gt;,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Relato desde Willy-Brandt Straβe, com vista para Mittlerer Schloβgarten e para a Hauptbahnhof, com a estrelinha a rodar em cima, lembrando-me o 300SL Roadster, da Kienle Automobiltechnik, que vi no aeroporto, quando aqui cheguei. Sei que aguardas um relatório do ritual iniciático em Lvov, mas terás que ser paciente, pois ainda me encontro em recuperação devido às garras afiadas da Tamara, que apesar de moldova, não compremeteu. De volta ao Meridien e à missão em Stuttgart. Tenho que admitir que Herr Berg deve ser dos concierges mais simpáticos que conheci e que o contacto das adolescentes turcas que me forneceu, para o encontro naquele clube na esquina entre a König e a Eberhard, determinante. Depois do que tinha visto no S Bahn quando elas se cumprimentaram fogosamente à minha frente, sabia que tinha que as ver novamente e que seriam elas a receber a encomenda. Pena que as bandeirinhas na carpete do Hotel não tenham feito o seu trabalho e que o significado da mensagem se tenha perdido pela mudança da homografia, provavelmente devido à acção de um qualquer refugiado zairiano a trabalhar aqui. Nada a temer, Herr Berg já tinha tratado de tudo e eu apenas teria que contornar o gigante Markus Friedrich, sacristão da Stiftskirche, que policiava o altar-mor, para arrancar um pedaço da barba de granito de um dos guerreiros que compunha o cadeiral, ou não seria aceite na Mesquita da Praia de Ouakam em Dakar, donde espero escrever-te daqui a uns dias. Desde logo colocava-se a questão de como entrar? A partir dum cabo lançado por uma das torres do Alten Kanzlei em Schillerplatz ? Ou talvez a partir do telhado da Loja da Montblanc, ao lado da Louis Vuitton, em Stiftstraβe? Mas aí corria o risco de me deparar com o Conde e ficar a descoberto. Havia ainda mais uma hipótese: saltar a totalidade da Am Fruchtkasten, aterrar na inclinada segunda água e entrar por um dos vitrais diagonais da pequena torre. "Assim seja", dizia o Pastor Vosseler, quando me estatelei em cima de um certo Conde de Württemberg ali sepultado. Rápido como um &lt;em&gt;panthera onca&lt;/em&gt; e de martelo de geólogo em punho, enquanto a assembleia gritava pelo seu pastor, pensado que eu seria um qualquer islamita de Karachi, quebrei a barba a um dos guerreiros, contornei Herr Friederich, que ainda me conseguiu desequilibrar e falhar o arnês à primeira tentativa. Nada que uma vaporização de concentrado de Alprazolam não acalmasse. De regresso à pequena travessa, foi correr para o interior do parque subterrâneo do Commerzbank, onde me aguardava a polaca Natalya (a loira que recrutaste em conjunto com o Faneca), no seu mui discreto 356 B T5, de 1960, vermelho, com os estofos preto, enfim... o cabelo loiro a esvoaçar, os olhos verdes, as sardas junto ao nariz, a pele branca leitosa, o decote generoso. Apesar dos seus 42 anos, uma desgraça completa. Lá partimos para Fellbach, onde a peça de granito ficaria em segurança até à minha partida. O Kai trataria bem dela, já que o Rodrigo estava de férias. Comprei as D'Addario necessárias para entrar no clube e regressei de S-Bahn, no S2 ou no S3, já não me recordo. Quando sai em Stadmitte ainda ribombavam sirenes e pânico pelas ruas, mas nada que uma troca de peruca e calças de fato de treino, Beckenbauernianas, porque "Das Kaiser" será sempre "Das Kaiser", não tivesse já resolvido. A toda a pressa por Rotebühl Platz, 2 clicks para admirar a obra de Mendelsohn, Kaufhaus Schocken e Oβwald, a torre Tagblatt, antes de entrar no desviante clube Tahiti, onde me aguardavam as Turcas."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aguarda-se na SAUDADE (Seguimento de Acontecimentos Únicos Directamente pela Agência Discreta para Encaminhamento) os restantes relatórios. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-1731388281352060448?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/1731388281352060448/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=1731388281352060448' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/1731388281352060448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/1731388281352060448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2009/04/o-novo-agente-toutinegra-das-murtas-vai.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-7637504770232761820</id><published>2009-02-21T06:56:00.000-08:00</published><updated>2009-02-21T08:35:13.887-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Toutinegra das Murtas contratada, o Mundo mais seguro. Hiperbólico? Talvez, veremos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De Varsóvia a Berlim é rápido mas nunca se o itinerário implicar a passagem por Vilnius para levantar o Certificado Internacional do novo agente, junto de Kauskas Vistulis, o discreto cançonetista do underground kitsch lituano, o temível 'Jaučiai' Vistulis. Também não encurtava o percurso a passagem por Lvov, para o ritual iniciático de Toutinegra das Murtas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De Vilnius falarei eu, de Lvov, o TdM.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Sveiki atvykę į Vilniaus" nem sempre quer dizer 'Bem vindo a Vilnius'. E, neste caso, sabia que as atenções de todas as agências teriam os seus olhos voltados para mim. Daí que não tenha arriscado e tenha chegado como representante da Volvo em Moscovo. À questão "De onde vem e o que vem fazer aqui?", respondi no meu melhor russo "Я представитель Volvo в Москве, и я знаю, литовском рынке." Perante o olhar carrancudo dos inspectores de fronteira, pedi perdão e disse: "Aš atstovas Volvo Maskvoje ir aš žinau, į Lietuvos rinką." "Ah!" e sorriram. Assim, como representante da Volvo que quer conhecer o mercado lituano, a simpatia aumentou, em especial quando lhes disse que Vilnius superava Moscovo onde só queriam Audis e Mercedes! "Mercedes, Audi automobiliai žaisti. Žmogus yra žmogus, kuris turi "Volvo". Sveiki atvykę į Vilnių!" Este entusiasmo do inspector era auspicioso: Audis e Mercedes são para brincar. Homem que é homem tem um Volvo, numa tradução literal do seu fortíssimo lituano.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lá fora, à minha espera, Eugénio Maldonado, residente em Vilnius desde a sua paixão e consequente recrutamento por Lionginas Binkauskas, eminente professora da Faculdade de Medicina da "Vilniaus universiteto". Do casamento resultaram dois filhos, Adérito Binkauskas Maldonado e Joaquina Binkauskas Maldonado e uma longa e valorosa carreira que lhe valeu o cognome de "Guaxini do Báltico". "Que tal é esse Toutinegra das Murtas?" " Vais ver com os teus olhos, um dia. Para já tens de confiar que a BIRRA está reactivada e em boas mãos. Ele não é virgem nisto, embora lhe falte dimensão internacional. É promissor." "Ó Maldonado, e esta música é o quê?" "É do Andrius Mamontovas, foi o meu Adérito que me deu. É música moderna daqui. Se quiseres tenho aqui o último do Ruizinho de Penacova! É demais. A Lionginas fica louca com as músicas do rapaz!" "Não, deixa ficar o Mamontovas... E o certificado? Sabes que vou directo daqui para Lvov?" "Claro e é lá a iniciação?" "Sim, tudo pronto e muito simples" Eugénio tirou do porta-luvas do Volvo PV 444 de 1954, impecavelmente restaurado, um salame de chocolate. "Começa a comê-lo no caminho. Quando te souber a vinagre, pára e desfaz o resto, assim que puderes, lê o que está escrito no talão e saberás o que fazer. Ainda falas e lês bem lituano?" "Kalbėjimas lietuvių panašiai važiuodami dviračiu!" "Bem, não será bem como andar de bicicleta mas continuas fluente..." " E nem tenho de me encontrar com Vistulis, o Boi?" " Os amigos servem para isto também! Não me esqueço de quando me deste a mão nas Ilhas Faroe, na malfadada Tórshavn... A estas horas estaria todo tatuado e com piercings nos sítios mais...." "Chega!... Somos amigos, pronto. Isso chega."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Saí de Vilnius sem dar uma volta pela cidade, sem ver como estavam as coisas desde que fora ao casamento do Eugénio e da Lionginas, Geninho e Gininha, para os amigos. Em Lvov esperava-me o Toutinegra das Murtas. E o vinagre... já Dona Lilita viera com essa do vinagre...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-7637504770232761820?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/7637504770232761820/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=7637504770232761820' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/7637504770232761820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/7637504770232761820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2009/02/birra2-em-andamento-toutinegra-das.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-678139644997542471</id><published>2009-02-17T12:51:00.000-08:00</published><updated>2009-02-17T12:56:20.908-08:00</updated><title type='text'>Concurso Terminado</title><content type='html'>Acta de selecção&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal como previsto no Edital (cf. post anterior), este post vem dar o concurso por encerrado.&lt;br /&gt;O concurso decorreu com total transparência e, considera-se assim que o neo-agente Toutinegra-das-Murtas se converteu ao serviço da causa, de alma e coração. Por ser verdade e tudo aquilo que vem em actas, atestados e declarações do tipo 'para os devidos efeitos', termina este processo.&lt;br /&gt;Deverá o agente aguardar a senha e poderá assim integrar a próxima missão 'asap'.&lt;br /&gt;Algures, 17 de Fevereiro de 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-678139644997542471?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/678139644997542471/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=678139644997542471' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/678139644997542471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/678139644997542471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2009/02/concurso-terminado.html' title='Concurso Terminado'/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-3441599269291770925</id><published>2009-02-17T06:45:00.000-08:00</published><updated>2009-02-17T06:58:05.888-08:00</updated><title type='text'>Edital</title><content type='html'>Estão abertas candidaturas secretas e discretas para constituição de unidade de elite.&lt;br /&gt;Digo isto porque mais não posso.&lt;br /&gt;As candidaturas serão aceites nos comemtários a este post e terminarão, sem apelo, assim que seja editado o post seguinte.&lt;br /&gt;O número de agentes a contratar será de 1 (um), pelo que a selecção será feita mediante critérios claros para o comité de selecção mas secretos para os candidatos.  A isto não se chama injustiça mas sim eficácia e poder discricionário. Acima da democracia do funcionamento da &lt;em&gt;Agência&lt;/em&gt; está o superior interesse daquilo que ela protege.&lt;br /&gt;Algures, 17 de Fevereiro de 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-3441599269291770925?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/3441599269291770925/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=3441599269291770925' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/3441599269291770925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/3441599269291770925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2009/02/edital.html' title='Edital'/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-1300671926677973639</id><published>2008-08-28T08:01:00.000-07:00</published><updated>2008-08-28T08:42:10.327-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sinagoga Ortodoxa de Varsóvia, quinze e trinta. Um fato de peluche simulando a presença de toupeira macho com cerca de metro e oitenta de altura indiciava a presença de Boniek. Sempre estava de toupeiro e não de toureiro. Deixou-me o envelope que recebera do adido cultural da embaixada do Uzbequistão. "Vês depois, à vontade no avião." " Avião?" "Sim, convém que saias hoje ainda. Também não estás cá a fazer nada!" "E aqueles 'agentes' todos do futebol, o Chalana, o Maniche" "São sósias..." "Do IF, Idalino Faneca!!! Eu desconfiei, sabes... mas são muito convincentes!" "Conheceste o Faneca?! Tu estiveste com ele?" Estive uma vez no centro de formação para sósias do Faneca. É impressionante. Mas o que fazem aqui?" "Eles estão a representar o que a equipa do IF escreveu no guião. Vêm participar na V Convenção Anual de Cromos da Bola que decorre agora no Hotel Jan III Sobieski. Há um monitor do IF na janela do quarto 504 do Hotel Campanile, do outro lado da praça. Com uns binóculos, controla-lhes o movimento. Agora, se queres saber a verdade, eu acho que eles só vieram para..." "... para se mostrarem aos nossos serviços! Claro, o IF é como os agentes dos jogadores de futebol... Bem, Boniek, Já tenho o envelope diplomático; dá-me as instruções e a senha. O destino já sei quel é. " "O grande Toutinegra a ler nas entrelinhas! Boa sorte e até breve!" Foi a primeira vez que uma toupeira de peluche com bigode e porte de ponta-de-lança me abraçou efusivamente perante a indiferença dos transeuntes. Ao ouvido segredou-me a senha: "Toupeira sem vodka luta contra os estereotipos." Mais estranho era impossível. Deu-me então o talão da compra de uma garrafa de Zubrowka, 'bison grass vodka'. No verso as coordenadas. Já no taxi de regresso ao aeroporto Frederic Chopin, olhei bem para aquelas coordenadas. Talvez pudesse descansar um pouco, talvez não. Talvez...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-1300671926677973639?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/1300671926677973639/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=1300671926677973639' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/1300671926677973639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/1300671926677973639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2008/08/sinagoga-ortodoxa-de-varsvia-quinze-e.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-1552412007789042774</id><published>2008-06-23T10:30:00.000-07:00</published><updated>2008-06-23T10:56:19.591-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Warszawa Ochota, a estação soturna quase no final da Aleje Jerozolimsky, bem mais discreta que a estação central. No autocarro 175, antes da paragem indicada, pude reparar no homem com a camisola desportiva de marca Naike, com as cores da selecção polaca. Nas costas o número 2,5 e duas letras ZB. Era ele de novo, Boniek. Deixara o bigode e adoptara rastas. Saímos por portas diferentes do enorme autocarro articulado. Esperámos que ele avançasse e pudemos então cumprimentar-nos desde que, na Vidigueira, chegara a temer o pior. "E as empadas?" "Zbigniew, mais do que as empadas temi o pior..." "Estes jogadores que por aqui purulam... novos agentes..." "Pululam, Boniek." "Deixa lá a correcção linguística. O importante é que Chalana não é Chalana e o Homem-Pluto é um antigo mordomo do Arturo Tijuana, o mais temível agente equatoriano." "Sim, sem dúvida..." " E a questão das latas de sardinha? Como ficou?" "A BIRRA tratou de tudo a estas horas mas a fórmula..." "Dessa trato eu." Amanhã, por detrás da Sinagoga. Irei disfarçado de toupeiro." "Toureiro, Boniek..." "Não, de toupeiro, é mais discreto! O que faria um toureiro perto da Sinagoga em Varsóvia?!" E tinha razão. Restaria saber quão normal seria encontrar uma toupeira macho perto da Sinagoga em Varsóvia. Boniek desceu as escadas que conduziam à já escura estação Ochota, não sem antes comprar um pequeno ramo de flores: "Para a minha Bonieka..." Do outro lado da praça Artura Zawiszy , em frente ao multicolor e nada discreto Hotel Jan III Sobieski, Maniche e o Pseudo-Chalana conversavam e trocavam displicentemente cromos do Euro 2008. As peças do puzzle compunham-se. Apenas o Homem-Pluto me deixava de sobreaviso. Tudo o resto seria desmascarado em breve, perto da Sinagoga.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-1552412007789042774?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/1552412007789042774/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=1552412007789042774' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/1552412007789042774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/1552412007789042774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2008/06/warszawa-ochota-estao-soturna-quase-no.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-3926406719654164091</id><published>2008-06-01T08:23:00.001-07:00</published><updated>2008-06-12T12:41:37.524-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Aeroporto de Bruxelas. Ao longe, na passadeira rolante, Chalana e o homem-Pluto. Perdi-os de vista pouco depois, felizmente. No recanto que a porta de embarque A40 faz, uma cara familiar. Disfarçado de cidadão do Togo, com um boné verde alface na cabeça e uma Tshirt “Je suis citoyen de Togo et fier d’être noir.” A tiracolo uma sacola cheia de postais do Togo com um autocolante “Travelling to Finland”. O inconfundível Dimitri Alexeiev, companheiro de formação, da primeira fornada do Grão de Bico. Tirou do bolso das calças um objecto que reconheci ser o osso que Fernando Chalana tinha no colo, dentro do avião. Era oco e, do seu interior pude retirar um pequeno frasco de vinagre e um talão de compras na ‘duty free shop’, de um frasco de gel de banho do Noddy. No verso “Quem lhe comeu a carne que lhe roa os ossos.” Os provérbios...Despedi-me rapidamente do Alexeiev, fui à casa de banho e segui as instruções de D. Lilita: o vinagre por sobre a declaração de amor de Aníbal à temperamental cozinheira da Costa Vicentina revelava a senha a entregar ao embaixador da Suécia em Varsóvia: “Recebe o corta-unhas como prova da minha afeição.” Nos altifalantes do Aeroporto de Bruxelas um breve flash de ‘Love will tear us appart’... um Ian Curtis, ali? Aquilo tinha o dedo de...&lt;br /&gt;Já a bordo do Avro RJ 85 da LOT, ao meu lado um cidadão polaco de volta a casa, duas filas à frente, Maniche disfarçado de Lech Walesa: o bigode e uma faixa do Solidariedade na manga esquerda do blaser aos quadradinhos em tons de azul turquesa e verde seco. Estava na hora de ser o Toutinegra pro-activo de outros tempos, mais ‘old school’, menos dependente destes novos agentes-jogadores de futebol reformados e no activo. Formar agentes por Reconhecimento e Validação de Competências!? Novas oportunidades!? Maiores de 23!? Varsóvia será o palco deste ajuste de contas. Até breve, muito breve, na Aleje Jerozolimsky.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-3926406719654164091?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/3926406719654164091/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=3926406719654164091' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/3926406719654164091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/3926406719654164091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2008/06/aeroporto-de-bruxelas.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-1988570762442942456</id><published>2008-06-01T08:21:00.000-07:00</published><updated>2008-06-01T08:22:37.776-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Entrei cautelosamente no restaurante. Sabia do ritual de acesso às mesas e às boas graças da dona e cozinheira-mor. No altar da sua bancada, junto do seu fogão, fiel amigo imaculado, Dona Lilita preparava o seu sábio arroz de peixe. Este forçado almoço em Vila do Bispo, deixando para trás Aljezur, simbolizava o fim de todos estes meses de recolhimento na Praia do Monte Clérigo, Entegara a Demóstenes uma cópia autografada da Biografia não oficial de Eusébio, da autoria de Manuel F. Alegre, exemplar número três de uma  limitadíssima tiragem de oito. Duas sentidas lágrimas correram pela face de Demóstenes: “Se eu mandasse, ainda jogava... o Pantera...” Recebera, em troca, a senha para o Café Correia: “Se queres comer, não venhas a correr.” Debitei então a senha a Dona Lilita que, tendo esquecido as palavras mágicas repetia sem cessar “Se não tens paciência nem vale a pena sentar! O meu arroz é para sair bem feito!” Deixei-a falar, do alto do seu metro e quarenta e oito e imbuída do poder da sua varinha-colher-de-pau mágica. Tive de interromper, contudo, arrancando a diva da seu fervor místico e disciplinador: “Isto é a senha, Dona Lilita!!! Sou o Toutinegra Futurista!!” “Ah... Já podias ter dito, moço! Vamos ao escritório.” Gritou ao marido que continuasse a confeccão do pitéu e carregou num botão violeta: “É a música ambiente. Assim, ninguém ouve a gente, moço! Sou pouco esperta, sou!” E era, à sua maneira. O roufenho sistema sonoro perfurava os tímpanos com um “Jesus, Jesus, Jesus!”, intercalando cada chamada do Cristo com uma sequência de palminhas ritmadas. Frei Hermano da Câmara, no seu vibrato místico e épico, pelo menos para a minha agente de ligação, ia avançando à medida que os nossos passos se detinham às portas do escritório de porta vermelha, a Jerusalém Celeste de Lilita e esposo. “Este moço canta que até me arrepia toda!” “Também a mim, Dona Lilita, também a mim...” Agora entra, moço, e cala-te mas é!” A porta fechou-se atrás de nós. Calei-me, mesmo que nem sequer tivesse tentado falar. À minha volta, os cortinados do Benfica que forravam a totalidade das paredes, sucedâneo de papel de parede, faziam o conjunto perfeito com uma colecção de calendários da Adega Cooperativa de Lagos. Retirou da escápula o calendário de 1977, desviou o cortinado e, de um pequeno orifício na parede, retirou um rolo de papel pardo, com nódoas de azeite e uma monumental lambuzadela de tomate: “Passa para cá o livro do Eusébio e toma lá esta charenga!” Dei-lhe o exemplar número sete, em troca do rolo de papel. Desenrolei-o e, por sobre o cinzento e as nódoas, podia ler-se “Para Lilita, com amor”, assinado Aníbal e com a inscrição final “Boliqueime, 1960”. Olhei para ela, boquiaberto. “Cala-te e está calado, mas é! Não é nada do que estás a pensar, moço! E o meu arroz de peixe pode levar um homem à loucura... Molha o papel em vinagre quando chegar a hora. Vais perceber. E agora vamos ao que interessa!” Arroz comido, caminho percorrido até ao aeroporto de Faro, destino Varsóvia, via Bruxelas. Na fila 17 do Airbus da Brussels Airlines, Fernando Chalana. A seu lado um homem com uma inusitada máscara de Pluto. Chalana olhou-me de lado, inclinou a cabeça para o centro do corredor e murmurou à minha passagem ”Não é com vinagre que se apanham moscas, nem aves, nem pássaros, nem outros mamíferos.” Sentei-me umas filas mais atrás e meditei nas palavras de Chalana: quais seriam agora os critérios de recrutamento? Chalana? Ele mesmo que acabara de debitar mais uma pérola a um cidadão polaco que passava: “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura, ou faz mossa, ou aleija, ou coiso.” No seu colo, agora à vista, o que parecia ser um osso de brincar, talvez do homem-Pluto... A Chalana já lhe tinhamos visto o bigode, o olhar vago e o discurso errático. Provérbios ainda não. Mais uma prova viva de que o ser humano é versátil... ou talvez não...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-1988570762442942456?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/1988570762442942456/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=1988570762442942456' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/1988570762442942456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/1988570762442942456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2008/06/entrei-cautelosamente-no-restaurante.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-1964448315368088458</id><published>2007-06-13T04:26:00.000-07:00</published><updated>2007-06-13T04:50:44.155-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Passando por Beja, avistei, ao longe, um pouco à frente da primeira rotunda, uma patrulha que, aparentemente, seria da Brigada de Trânsito. Obedeci ao sinal para encostar e parei, abrindo o vidro. “Bom dia!” “Bons dias... Bela viatura... É sua?” “Não, é de um compadre meu.” “Compadre... Pois há aqui um compadre que quer falar consigo. Acompanhe-me até à nossa viatura.” Simulei a saída, fechei a porta e acelerei forte. O UMM nem esboçou um movimento e a suposta patrulha nem esboçou qualquer reacção. Avistei o Adelino pelo vidro traseiro e não era a hora para o ajuste de contas. Sempre os disfarces foleiros... desta vez o de dono de talho tirolês de caça grossa. Virei para Aljustrel. Sem qualquer imodéstia, o Adelino não tinha pedalada para mim. Continuaria a tentar apanhar-me, continuaria a escapar-lhe com facilidade até à hora do nosso pequeno e privado juízo final. Assunto encerrado! Continuei até Odemira e apenas parei em Maria Vinagre. No Rogil seria demasiado arriscado: um dos padeiros fora, em tempos, um famosíssimo agente búlgaro, Janós Kenyeres, e continuava perigosamente no activo, tendo sido inclusivamente um dos esteios do descalabro comercial da marca Old Spice. Um café e sessenta e tal litros de gasolina depois, já a estrada serpenteava em direcção a Aljezur e já se avistava o castelo com as suas duas torres e as casas a pintar de branco a encosta. Segui a estrada que atravessa a vila e tomei o cruzamento à direita, rumo ao mar. Vencidas as curvas e a subida, virei, novamente à direita, para a Praia do Monte Clérigo. A chegada à última curva que dá acesso à praia, é uma espécie de lugar mágico, de ponto de encontro entre o céu e a terra, o céu e o mar. Sem pressa, para já, decidi ficar por ali um pouco, a sentir a brisa. Senti que alguém se aproximava. Espreitei pelo retrovisor e reparei que se tratava de um indivíduo disfarçado de delegado de propaganda médica, ou de agente funerário; confesso que esses dois disfarces me baralham, até a mim... Abri o vidro e ouvi: "Coloca o DVD que o Chico te deixou." Acedi ao pedido. Lá dentro o convite para um jantar no restaurante 'O Zé', em plena praia do Monte Clérigo, e a indicação de onde poderia encontrar os cromos que me permitiriam resolver a situação das latas de sardinha. Tudo na zona, tudo muito à mão, tudo com um certo sabor a prémio, a descanso merecido. O DVD terminava com um clip de 'Nothing Else Matters', música do desagrado do Chico mas uma homenagem às minhas preferências musicais, pelo menos a parte delas. O homem, entretanto, retomara o caminho de volta a Aljezur no seu carro comercial, ou para enterrar alguém, ou para vender uma qualquer marca de medicamento que ainda não se sabe bem o que faz mas que sabe a morango.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Descrevi a curva, lentamente, e lentamente fui descendo em direcção ao parque de estacionamento central da praia. De frente, o restaurante 'O Zé', provavelmente ainda da propriedade do Sr. Zé 'Larico', ou na mão de seu genro, Demóstenes. Ficaria para mais tarde até porque não sabia quem seria a companhia para jantar. Fiquei apenas em calções de banho e dirigi-me para a areia. Mergulhei na água fria e saltei aquelas ondas enfurecidas mas que pareciam reconhecer o meu corpo. Senti-me criança outra vez, ali. Dentro em breve teria de voltar ao mundo dos crescidos. Previa complicações e, a breve prazo, a saída do ninho, Portugal Por agora não... apenas mais uma onda a derrubar-me cumplicemente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-1964448315368088458?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/1964448315368088458/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=1964448315368088458' title='14 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/1964448315368088458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/1964448315368088458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2007/06/passando-por-beja-avistei-ao-longe-um.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-2147939688560525109</id><published>2007-06-11T06:25:00.001-07:00</published><updated>2007-06-11T06:25:32.925-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O cheirinho da sopinha de cação, os coentros, o alhinho e o azeitinho quente eram um ‘must’ na casa do Chico e da Arlete. Chegar ao fim da tarde, quando o calor de início do estio abranda e o ar já se deixa respirar, é ter a mágica oportunidade de ser envolvido n um pôr-de-sol deslumbrante. Perguntei pelos miúdos. “Estão à da prima Celeste, é melhor.” O Chico, sem a sua cubana barba, estava quase irreconhecível. A Arlete estava na mesma, mais ruga, menos ruga. “Então, deixaste-te apanhar pelo Arquimínio...” “Apanhar? Enganar... bom, pelo menos por algum tempo. Sabes que nunca pensei que a minha prima Acácia pudesse ter razão...” “Sabedoria de prima velha...” “E com bigode”, acrescentou a Arlete.  Riram à vontade, o ambiente mais descontraído. “Queres matar saudades?” “Força!” O Chico foi lá dentro e trouxe um velho leitor-gravador BASF, agitou uma fita antiga: “É dos Mineiros de Aljustrel! São do melhor, já está é gasta mas que se lixe! Preferes os Ceifeiros da Cuba?” “Está óptimo assim.” O resultado era, em bom abono da verdade, desagradável. A má qualidade da velha cassete, a péssima  qualidade do vetusto leitor, a fraca reserva energética das pilhas, tudo contribuía mais para um sacrifício do canal auditivo do que para um  matar de saudades. Salvava-se a boa vontade, de todos, até dos Mineiros de Aljustrel.  “Chega aqui, Toutinegra.” O Chico conduziu-me até uma espécie de escritório. “Está aqui a parte da História que interessa contar...” Nas paredes, cartazes de lutas antigas, de uma tourada por altura das festas de Nossa Senhora do Carmo, em Moura, terra natal do seu dilecto cunhado, o Feliciano Abóbora.  Mais ao lado, numa espécie de pequeno nicho, uma fotografia do Chico com Vítor Damas e uma fotografia virada para baixo com uma pedra em cima. “E isto, Chico?” “Podes ver, tu podes ver...” Disse isto, olhando em volta, como se quisesse certificar-se de que ninguém, nem mesmo as paredes, o estava a observar. Retirei o pequeno seixo e virei a foto, já amarelecida. Era uma foto de João Pinto, o mítico lateral direito do F.C.P. que o Chico tinha processado no seu ressabiado ‘fotoshop’ manual, apresentando o dito jogador com um par de protuberâncias cranianas dignas de um vogoroso alce. “Então Chico, o que é isto?” “Ele fez-se à minha Arlete, um dia. Gajo que faça isso... acaba nisto!” “Este!?” “Nem imaginas... Estávamos em Viena, em 1987, em missão e tivemos de ir ter com o Grão de Bico em plena final da Taça dos Campeões. Na marcação de um canto, vejo este moinante a piscar o olho à Arlete. Ela nem deu por isso mas o Futebol Clube do Porto, para mim, deixou de ter lateral direito. Ninguém se faz ao piso à minha Arlete e está tudo dito. Nem no Inferno vai ter descanso, o cabrão!” “Bem, calma... Podes desabafar comigo, não foi por isso que vim mas...” “ Mas, eu sabia que virias, era apenas uma questão de tempo.  A fórmula do bolo de requeijão... somos nós que a temos.” “Não pode ser!” “Pode, pode. O Boniek não foi ter contigo a Beja? O Arquimínio não te tentou limpar o sebo? Não foi o Panças quem te deu a suposta fórmula? Não precisas de responder... É ‘sim ‘a tudo... E sabes o melhor? A dita fórmula não era mais do que o código que levava às latas de sardinha! Confuso? Parece que estás a começar a ver tudo, compadre... Foste apanhado no cruzamento de duas forças cósmicas: a fórmula do bolo e as latas de sardinha!” “Como pude ser tão ingénuo...” “Safaste-te porque a experiência já age em ti, sem que o premedites. Estás para o agente secreto como o Espírito Santo está para o Deus Pai!” “Mas tu, agora, és religioso?!” “Não, mas não posso desperdiçar oportunidades de fazer piadas com tão boa matéria prima! Agora vai, despede-te da Arlete e pega no saco que ela te vai entregar. Vais deixar aqui este Volvo e vais levar outro. O Grão de Bico deixou-me um fundozito de maneio para eu providenciar “as melhores soluções” para ti, o seu discípulo de eleição. Tens as intruções num ‘dvd’ eo dinheiro no porta-luvas. “ Dei um sentido beijo à Arlete que me entregou um saco de papel com dois disfarces alternativos: um, de apanhador de percebes da Costa Vicentina, outro de vendedor de óculos de contrafacção da Ágata Ruiz de la Prada. No fundo do saco, uma pequena tira de papel, escrita em árabe, com a seguinte frase: “Se sentires algo amargo, dirige-te ao ‘Sargo’ e pensa que tudo o que é teu, está no ‘Rasto do Judeu’.”  Liguei  o meu novo Volvo XC90 V8, liguei o sistema de navegação e marquei as coordenadas rumo a Aljezur. Alguma estrada pela frente, Jeff Buckley por companhia. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-2147939688560525109?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/2147939688560525109/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=2147939688560525109' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/2147939688560525109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/2147939688560525109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2007/06/o-cheirinho-da-sopinha-de-cao-os.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-1231248769420325110</id><published>2007-05-14T07:14:00.000-07:00</published><updated>2007-05-14T14:25:45.294-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O Alentejo inspirava-me, sempre me inspirou. A entrada em Évora, vindo do sul, de Beja, aquele perfil... fazia-me lembrar, indubitavelmente, a minha prima Acácia, deitada de barriga para cima. Um belo dia, já eu andava nestas lides de agente secreto, fui dar com ela deitada, na já referida posição, a roncar na cama, depois de almoço. Acordou subitamente e disse-me: "Olha o meu primo espião... Anda cá, filho. Deixa-me revelar-te um segredo. Há mais de vinte anos, o tio Silvério Pechincha Marujo deixou uma fortuna em conservas de sardinha. O irmão, meu pai, vendeu-as todas e embolsou o dinheiro. Depois, abandonou a minha mãe e fugiu com uma espanhola para Ceuta, onde morreu. É importante que saibas isto, com a vida que levas." Agradeci-lhe, céptico relativamente às possibilidades de relevância daquela informação na minha vida, tanto na pessoal como na familiar. Avancei, rumo ao coração da Évora histórica, e senti-me em casa. Estacionei o carro no largo da Sé, a poucos metros do templo romano que, em tempos chegou a ser um mercado de carne, um matadouro, algo assim. Calha a tudo e a todos, momentos de dignidade duvidosa. Desci as escadinhas do Largo D. Miguel de Portugal e esperei. Segundos depois, senti passos. Era um transeunte, um dos poucos avistáveis, àquela hora, na cidade quase deserta. Subitamente, voltou-se para trás e perguntou: "Desculpe, tem horas?" "Lamento mas não..." "Ah, Toutinegra!" "Quem acha que encontrou o Toutinegra?" "Arquimínio Siquenique, da classe de 45." "E como posso confirmar a veracidade do que afirma?" "Sei da tatuagem..." Corei de vergonha. A cena da tatuagem costumava ter aquele efeito. A minha sogra, no quinto ano do meu aniversário de casamento, tatuou o meu nome de código na sua nádega esquerda. "Ao meu querido genro, por nunca cá estar, pus para sempre o seu nome, no seu devido lugar." Dito isto, levantou a saia e mostrou publicamente a nádega, na qual se podia ler: "Ao meu genro Toutinegra, nas nalgas, até que a terra me coma." Assim, tal e qual... Poderia viver três vidas, percorrer o mundo três vezes... As palavras grotescas e tresloucadas, tatuadas num mar de celulite, para sempre, bem para além da terra cumprir a sua função... "Como sabes disso, Arquimínio?" "Tu não queres saber..." E não queria. Isto podería indiciar, contudo, que o Arquimínio seria uma alta patente, comum entre agentes alentejanos. Pareceu-me, todavia, agitado demais, no limiar do frenético, os olhos sempre muito rápidos e os dedos a tamborilar no ventre, pouco comum entre agentes alentejanos. Talvez o facto de ser da safra de 45 explicasse isso...&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Fomos, no furgão dele, até à estrada para Arraiolos, sempre ao som desconcertante  de Leonel Nunes, o Homem do Garrafão, nas palavras extasiadas do Siquenique. Perto do cruzamento para S. Bento de Castris, encostou, do lado direito da estrada, e disse-me: "Temos que esperar pelo Zé Carlos. Ele não deve demorar." "Já o conheces?" "Sim, mas hoje deve vir disfarçado de índio peruano. Aproveitamos e vamos disfarçar-nos também. Toma, tu ficas de campino e eu de pescador da Nazaré." Eu fiquei dentro do furgão e ele foi para trás de um arbusto dizendo: "Agora, Toutinegra, vou lá fora mudar de fatiota e mudar a água às azeitonas." Olhei para trás e a caixa de carga daquela Bedford não enganava: latas de sardinha, cheias de ferrugem, preenchiam o chão, uma fortuna em latas de sardinha... Tinha segundos para reagir. Olhei pelo vidro de trás e reconheci, ao fundo, por entre os arcos do Aqueduto da Água de Prata, o perfil da cidade: outro ponto cardeal, outras coordenadas, à mesma o perfil da prima Acácia. As peças do puzzle começavam a fazer sentido. Tranquei a porta, fiz uma ligação directa, inverti a marcha antes que o Arquimínio pudesse fazer o que quer que fosse, mais a mais com as calças do pescador em baixo. Deixei a Bedford no largo da Sé, entre o Palácio da Inquisição, e o Palácio do Vimioso, fiz uma incisão vigorosa em cada um dos pneus e desapareci no meu inefável e cúmplice Volvo 240. Tudo começava a aquecer, até o tempo. Precisava de guarida e de tempo para pensar nestes surpreendentes acontecimentos e voltar ao domínio completo da situação. Senti que, por momentos, perdera o estatuto de narrador omnisciente da minha própria vida e esse era um claro sinal de alarme. Estava na hora de ir ter com o meu compadre Chico Mogango. Ele, e a minha comadre Arlete Pavanas haviam de me ajudar. Não era em vão que os tinha conhecido, nos idos de 1967, como 'BIRRA nº1', brigada de intervenção rápida, rápida, alentejana. E mais não digo, pelo menos por agora. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-1231248769420325110?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/1231248769420325110/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=1231248769420325110' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/1231248769420325110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/1231248769420325110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2007/05/o-alentejo-inspirava-me-sempre-me.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-4731093595795843712</id><published>2007-03-15T05:17:00.000-07:00</published><updated>2007-03-20T01:16:23.035-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nunca me questionei muito sobre os processos da diplomacia e dos serviços secretos mas, na verdade, sair do Porto, de madrugada, em direcção a Beja, para seguir posteriormente para Évora, pareceu-me uma espécie de non-sense geográfico pouco eficiente. Chegado a Beja, dirigi-me ao ponto de encontro. Já no café Luís da Rocha, em plena ‘meia-laranja’, sentei-me e pedi uma empada. Continuavam soberbas e compensaram a espera... Subitamente ouvi, sussurrada, a senha: “De noite, usas uma tocha. De dia, no Luís da Rocha”. Voltei-me e fiz sinal ao sujeito para que se sentasse. Estendeu-me a mão e disse com um sotaque que confirmei como típico do ramo lequítico do grupo ocidental eslavo: “Lembra-se de mim? Não? Zbigniew Boniek.” “Boniek? Estou perante o Boniek?” Sorriu... “Sempre pareceu que eu era um jogador de futebol, não é? E era, era bom...” “Lembro-me de si na Juventus, ao lado do Platini...” “Exacto.” “Lembro-me de si também na A.S. Roma!” “Sim, mas vamos ao que...” “Lembro-me de o Gabriel Alves se referir a si como o Príncipe do Futebol Polaco!” “Toutinegra, não temos tempo! Aliás, penso que me enviaram a mim porque sabem da sua fraqueza perante as grandes glórias do futebol da década de oitenta...” Quem mais se lembraria de mim, Zbigniew Boniek?” E tinha razão... Como tinha razão! Nem ele próprio, Zbigniew Boniek, sabia até que ponto estava a ser usado... Passei-lhe a fórmula, por debaixo da mesa: “Aqui está, passadinha a limpo, como manda a lei...” “Muito bem! Toma, é para ti! Também eu me orgulho de estar com o discípulo dilecto do Grão de Bico, nem sabes como!” Do pacote de papel emanava um cheiro nauseabundo... “Usei esta camisola no meu último jogo no mundial de Espanha, em 82.” “Obrigado, Boniek, do fundo do coração!” Saiu do café, enquanto eu pagava a despesa. Perguntei-me como tinha o Boniek conseguido comer trinta e duas empadas de galinha... Saí, em direcção ao carro. Ao volante do meu Volvo 240 de 1973, recordava os momentos mágicos em que Boniek, frente à Bélgica, marcava três golos no mesmo jogo, no Mundial de Espanha. Já perto da Vidigueira, reparei no carro de matrícula polaca abandonado à beira da estrada. Parei, temendo o pior. No banco do condutor, um pequeno envelope contendo um papel no qual se podia ler: “Sei que me enganaste. Com esta fórmula apenas se poderá fazer um bom bolo de requeijão mas nunca o bolo de João B. Está tudo bem comigo.” Ainda no envelope um cromo do Platini com a seguinte dedicatória: “Pour que Boniek puisse faire un cadeau à quelqu’un spécial.” Assinado: “Platoche”... No banco de trás, uma caixa de papel... Esquecera-se das empadas, das trinta e duas empadas... Levei-as comigo, o bom cheirinho das empadas compensaria provavelmente o da camisola do Zbigniew. Fiz-me à estrada, deixando o leitor de cassetes do Mercedes branco, a braços com uma fita de Cândida Branca Flor, a lutar contra o implacável sol do fim de Inverno, no Alentejo. Não muito longe, o posto retransmissor do Mendro. Por ali teriam passado muitas das jogadas de Boniek, convertidas em feixes hertzianos, hoje memórias... como magia...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-4731093595795843712?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/4731093595795843712/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=4731093595795843712' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/4731093595795843712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/4731093595795843712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2007/03/nunca-me-questionei-muito-sobre-os.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-6282062547363440</id><published>2007-03-12T04:06:00.000-07:00</published><updated>2007-03-15T05:35:04.455-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Batiam as oito, oito da noite certinhas. À saída do Francisco Sá Carneiro, o meu Pedras Rubras, o inefável táxi do Cardoso, Adelino Cardoso, fiel mas temperamental motorista da fase galaico-duriense do Grão de Bico. Via-se claramente a chapeleira com o revestimento felpudo e o cão de cabeça oscilante com o cachecol do F.C. Perafita. Dirigi-me à porta da frente do lado esquerdo: a porta traseira do mesmo lado já havia há muito cessado de funcionar. Nunca se soube se havia sido intencional ou não mas, no táxi do Cardoso, se alguma vez aquele produto da indústria automóvel nipónica chegou a ser um táxi, entrava quem ele queria, por onde ele queria. A abertura da porta do Datsun 220 C de 1973 confirmava aquilo que, de fora, se adivinhava: no leitor de cassetes, a fita castanha de crómio era convertida nas músicas do pequeno Saúl, o álbum “Os Pitos”, de 1997. Sentei-me, desviando um saco de plástico que ocupava o espaço para os pés. “Boa noite, Cardoso. Como passas?” “Menos mal…” “Leva-me ao Palácio de Cristal.” “Já lá estás…” Fez-me sinal com os olhos e com a cabeça para que pegasse no saco de plástico. Lá dentro, uma miniatura do Palácio de Cristal com um bilhete dos STCP colado, no verso do qual se podia ler “Lá dentro a menina dança, cá fora enche-se a Pança.” Era tudo o que precisava saber: um encontro com o Pança à porta de um lugar da noite. Olhei para o porta-luvas, do qual pendiam uma foto autografada da Aurora Cunha e um pequeno busto de José Veiga com uma coroa de espinhos. “Estás a olhar porquê?... Esse homem é um mártir, ouviste?” Não questionei a afirmação. Há muito que o Cardoso idolatrava o Veiga e abominava o Benfica. “Sofre mais esse pobre na Luz que um Cristo…” “Se tu o dizes, Cardoso… Olha, o que é que está a dar aí pela noite… Sabes que não faz o meu estilo… é em serviço” “És é parvo, sempre foste! Temos duas possibilidades…” “Tens carta branca!” “Posso passar pela casa da minha sogra?... É ali em Rio Tinto…” “Passa, por mim tudo bem… Tenho é fome…” “Como diz o outro, tomei a liberdade de lhe dar algo: um molete com carne assada. O molete é do Carlitos, da Cruz de Pau, marido da Dulcininha. A carne assada é a receita da tia da minha cunhada, a irmã da Rosete, de Águas Santas.” Comecei a comer deixando a mini Cristal preta no saco. “És o mesmo maricas de sempre, Toutinegra…Vais –me dizer que não bebes em serviço, não fumas em serviço, não… poupa-me. Não tens remédio.” Num abrir e fechar de olhos, deixávamos para trás Rio Tinto. Soube-me bem ir passando de novo os olhos por todo aquele Porto... “Podes calar o pequeno Saul, Adelino? “Não, impossível… apaga-se-me a alma, Toutinegra...” Areosa, Fernão de Magalhães, Praça Velasquez, Rua da Constituição, Rua da Alegria... “O que é isto?” “É o ‘Penthouse’, Toutinegra... vês algo que te interesse?” “Não, não é aqui que o Panças pára, nem faz o estilo dele...” “Podias ter dito logo... vamos ao que interessa...” Rampa da Escola Normal, a vertigem de sempre amplificada pelo Datsun fumegante, Santa Catarina, Rua Gonçalo Cristóvão... “O ‘Pérola Negra’?” “Claro, olha para ali! Não, mais abaixo!” “O Panças...” “Eu fico aqui à espera, ‘Ich muß funken!” O Adelino aproveitava estas pausas para a sua paixão, o radioamadorismo, denunciado pela profusão de antenas erectas no tejadilho do carro. O alemão era herança da Frida Schloft, uma agente alemã que, em 82, estivera de serviço em Pedras Rubras e tivera um 'affair' escandaloso com o Cardoso. Andei uns dez metros, seguindo o rasto atordoante do Jovan Musk Oil. Sussurrei “Lá dentro a menina dança...” “Aqui, Toutinegra." O Panças vestira o fato de gala, riscado, com a camisa Triple Marfel bem aberta até ao terceiro botão, deixando vislumbrar o tapete hirsuto que lhe cobria o peito e o cordão de ouro, oferta do padrinho, devoto de Reinaldo Teles. Pôs a mão dentro do peito e, ruminando um palito já meio esfarelado, retirou, de um bolso interior minúsculo, um papel de mercearia com a indicação ‘fórmula’. Subitamente, o Panças contorceu-se com dores e agarrou-se ao peito. “Respira com calma, Panças!” “Foi o carago do cordão de ouro. Fiquei com um pêlo preso!” Enquanto o Panças dava solução ao problema do pêlo, voltei, calmamente, ao táxi do Cardoso. Abri o pedaço de papel pardo e podia ver-se claramente que se tratava da fórmula do bolo de requeijão de João B. Tinha nas mãos, simultaneamente, a segunda peça do pacote diplomático e a pista para a missão seguinte. “Leva-me à pensão, Adelino. Amanhã sigo para baixo e preciso de descansar num local discreto.” “Sem espinhas. Sabia que havias de vir aqui ao menino”, respondeu o Cardoso com uma gargalhada que abafou as recomendações de tempero para o bacalhau que o pequeno Saúl insistia em, de forma recalcitrante, debitar. &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-6282062547363440?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/6282062547363440/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=6282062547363440' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/6282062547363440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/6282062547363440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2007/03/batiam-as-oito-oito-da-noite-certinhas.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-4866253979701235565</id><published>2007-03-12T04:04:00.000-07:00</published><updated>2007-03-12T04:05:07.496-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A chuva encharcou-me até aos ossos. A mota cedeu a tanta água e não houve nada a fazer. Felizmente estava já às portas de San Salvador. Para trás México e Guatemala sem parar. O livro e a frase casavam na perfeição. A frase, da autoria de Shrek reenviava para a Lili Caneças. Não fora inocente aquela foto: alguns humanos também são às camadas, como os ogres... E o Dr. Jivago é o autor dos mais famosos 'peelings' da América Central. O seu nome, Óscar Javargo valeu-lhe a alcunha. O porquê de ter de encontrá-lo descobri-lo-ia mais tarde, o endereço, qualquer um com poder económico o pode saber. Troquei alguns dólares americanos por 'colón salvadoreño' e infiltrei-me num bar. Constava que o dr. Javargo tinha mil faces. Entrei em plena Alameda Manuel Enrique Araujo e perguntei ao primeiro transeunte: "Que puedo hacer?" E mostrei-lhe uma cicatriz falsa. Estendeu-me a mão e eu apertei-lha, deixando uns trocos. Apontou para o fundo da avenida e diss-me: "Cuarenta e cinco, segunda planta." Segui as indicações. O cheiro era imundo, uma mistura de carne podre com Old Spice. Bati, esperei e disse ao ouvir alguém a chegar à porta: "A Lili manda cumprimentos." Abriu-me. Era ele próprio, Javargo em pessoa. "Entre. Que posso fazer por si? Posso remover-lhe essa cicatriz..." "Isso também eu posso fazer..." Retirei a cicatriz autocolante. Ao fundo, daquilo que seria o bloco operatório, saía o clássico "Passear contigo, amar e ser feliz, turururu..." do duo Broa de Mel. "Vamos até ao bloco operatório, não há escutas" Entrámos. Na parede uma foto de Paulinho Santos com um balão de fala: "Mais um pró Javargo arranjar!". Em cima de uma arca congeladora, um busto do Engenheiro Sousa Veloso. "Bons amigos, lembram-me Portugal..." "Muito bem, e a senha?" "Encontrarás o tal, no Palácio de Cristal" Franzi o sobrolho mas percebi tudo. Era uma chamada a casa. Tudo apontava para a invicta, nem a música deixava dúvidas. O Javargo não brincava. À saída ainda disse: "Esse Paulinho Santos era um bom..." "Amigo, Toutinegra, um bom amigo!" Não me atrevi a contrariar, saí e apanhei um taxi para o aeroporto. Poucos desenvolvimentos mas o garantido regresso a Portugal.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-4866253979701235565?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/4866253979701235565/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=4866253979701235565' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/4866253979701235565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/4866253979701235565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2007/03/chuva-encharcou-me-at-aos-ossos.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-8893727720258562236</id><published>2007-03-12T04:03:00.002-07:00</published><updated>2007-03-12T04:04:27.732-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O Torquato estava, como era seu apanágio, na casa de banho. Um susto monumental, aquando de uma saída precipitada de Fukuoka, deixara como cicatriz permanente o cólon irritável, pelo que, um pouco de pressão induzia neste bravo homem uma diluviana descarga intestinal. Conheci-o em Funabashi, quando ambos fomos enviados a Fukushima, na altura em que a ilha de Honshu esteve sob ameaça de um grupo extremista de ninjas reivindicando a supremacia da carne de vaca nipónica sobre a holandesa. Debelada essa ameaça, pudemos conhecer-nos melhor. Sabia que o volume que ele deveria dar-me, bem como a password, seriam vitais para a minha saída da América Central. Deixei a mota Husqvarna num beco de Tegucigalpa e pedi uma Triumph emprestada. Era amarela mas sempre chamava menos a atenção que o rosa vivo da anterior. "Cantina La Gueisha", mais óbvio seria impossível. Entrei e perguntei pelo 'patrón'. "En su sitio." Aguardei à porta do cubículo que fazia de latrina multiusos. Pouco tempo depois, o reencontro. "Não temos tempo, segue-me." No escritório uma foto de Lili Caneças e uma impressão digital emoldurada, rodeada de flores, como num altar. "Lembras-te da Mihishi? Deu-me isto, gravado a sangue... para sempre..." "E a Lili?..." "Bem, esteve cá o Júlio, há dois anos. Tinha ganho essa foto num concurso dos pacotes de batatas fritas onduladas com sabor a presunto. Quis oferecer-ma e... não pude recusar." "Claro." Entregou-me um padaço de papel engordurado no qual se podia ler "Grande profeta Isaías, eu bem sei o que tu comias". "Ó Torquato... estas rimas das passwords estão a ficar..." "Mais baixo... As paredes têm ouvidos!" Olhei em volta e podia ver-se um conjunto de três quadros com as fotografias de três hirsutos pavilhões auriculares. "São do trio Odemira, passaram aqui há uns anos e insistiram numa fotografia de perfil, que era mais épica... deu nisto mas... sempre são portugueses e... as suas músicas fazem-me sonhar... Queres ouvir, Toutinegra, só um bocadinho? Tenho aqui já "A Igreja estava toda iluminad..." "Adoraria, Torquato, mas o tempo urge. E o volume?" "Ele correu para o outro lado da sala e a música do Trio começou a ouvir-se por todo o lado. "Desliga, Torquato!", gritei. "Mas tu pediste..." "Não, o volume da missão!" Percebi que o Torquato estava em final de carreira, os sintomas eram evidentes. E, indubitavelmente, o Trio Odemira tinha-o afectado profundamente. Enquanto, já na saída, protegia o embrulho, acelerei o passo para fugir do inevitável: " A Igreja estava toda iluminada..." O ruído da mota abafou o poderoso débito sonoro que inundou toda a rua. Parei alguns quilómetros depois. Abri o volume e deparei-me com uma versão de bolso de "O Doutor Jivago", de Boris Pasternak. Lá dentro, tudo em branco, à excepção da seguinte frase: "Os ogres são como as cebolas, às camadas." Lembrei-me da sala do Torquato... as peças começavam a fazer sentido. Para trás a estrada mexicana, à minha frente uma imagem difusa, com aroma a cebola...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-8893727720258562236?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/8893727720258562236/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=8893727720258562236' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/8893727720258562236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/8893727720258562236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2007/03/o-torquato-estava-como-era-seu-apangio.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-6145807066892918828</id><published>2007-03-12T04:03:00.001-07:00</published><updated>2007-03-12T04:03:41.668-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Tegucigalpa, ao anoitecer, tem o encanto de todas as cidades do chamado narco-caribe: à medida que o sol desce na linha do horizonte, as vozes passam a ser sussuradas e, em cada esquina, ouve-se o ruído de uma arma semi-automática a ser carregada. Dirigia-me para as obras do Mercado La Isla, na esperança de encontrar pistas. Numa viela, por uma janela, via-se uma televisão velha ligada sem que ninguém, aparentemente estivesse a seguir qualquer emissão. Passava nessa noite o filme "Marcelino Pan y Vino", de Ladislao Vajda, com música de Pablo Sorozabal. Detive-me a recordar uns momentos daquele ícone do misticísmo de pacotilha, baseado na obra de José Maria Sanchez Silva. A criança todas as noitas levava pão e vinho ao Cristo crucificado, num deleite de ingenuidade, pureza e fé. Ocorreu-me então que era essa a pedra de toque. Procurei uma igreja ou uma capela. Aproximava-se a 'Feria de la Capital' e, para além de mais mortos na rua, a cidade estava mais alegre e repleta de cartazes do 'alcaide'. Estava na mesma, Ricardo Antonio Álvarez Arias, desde que o conhecemos, eu e o Júlio, em 1988, enquanto gerente da Álvarez Automotriz. Vendeu-nos uma pickup Izuzu que nos durou até à Terra do Fogo, onde a vendemos às Peças. As irmãs Peças eram duas brasileiras recrutadas pela CIA, peritas em reconverter tecnologia obsoleta. Desapareceram no dia em que transformaram um Land Rover numa ceifeira debulhadora. Julga-se que tenham sido comprometidas pelo Jesulin Arlington, um ex-futebolista peruano a jogar no Newell's Old Boys. Encontrei a tal capela, a porta entreaberta e uma lápide polida e suja, com salpicos de sangue a formar uma seta que apontava para o interior. Perto da cruz, procurei no local correspondente ao que Marcelino usava para fazer as oferendas ao seu Salvador. Lá estavam, os chouriços de Oriola, duas paiolas e uma linguiça de porco preto de montado! Maldito Arlindo Talhante! Herético, como sempre. Olhei em volta e lá estava, como sempre, uma das suas fixações, a célebre fotografia de Jaime Pacheco abraçado a João Loureiro e a Isaltino de Morais. Segui um ruído e, qual assinatura, ouvia-se, baixinho, na voz de José Cid, "Na cabana, junto à praia, entre as dunas e os canaviais..." Ao lado o disfarce. Não havia tempo a perder. Pedi uma mota Husqvarna emprestada a alguém que, na melhor das hipóteses, já dormia e seguimos para Norte, em direcção a La Ceiba. Chegámos ao amanhecer. Comecei logo a inflitrar-me na praia como vendedor de Bolinhas de Berlim. Não tardou, era mais um entre muitos outros que vendiam coisas a quem passava junto ao mar. Foi aí que reparei no vendedor de varetas para batedeiras de bolos. Dirigi-me até ele e entreguei-lhe a linguiça. "E o resto?" "O resto está bem guardado". Pela quantidade de mulheres que me cobiçavam, percebi que as paiolas não estariam tão bem guardadas assim e muito menos no sítio correcto. Abri o fecho das calças de terylene e apressei a coisa: "Vamos até àquela duna!" "Mas, Toutinegra, eu não sou desses!" "Claro, Seruca" O Adelino Seruca era violentamente homofóbico e receou o pior. Das calças retirei as paiolas. Ele observou-as. Escolheu uma primeira, mordeu-a e disse revirando os olhos "Estes enchidos de Oriola, Toutinegra, põem-me louco..." Também a mim, e as calças cheias de gordura..." Mordeu a segunda e, lá de dentro retirou um rolo de papel vegetal. Nele podia ler-se: "Entra no México. Vai até Quezalte Nango, fala com o Torquato e leva o volume até Txutla Gutierrez. Lá verás a luz! Muda de mota."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-6145807066892918828?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/6145807066892918828/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=6145807066892918828' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/6145807066892918828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/6145807066892918828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2007/03/tegucigalpa-ao-anoitecer-tem-o-encanto.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-4511889442321740326</id><published>2007-03-12T04:02:00.002-07:00</published><updated>2007-03-12T04:03:17.568-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Cheguei a Quito ainda o sol não dava luz ao dia. A confusão do aeroporto com os vendedores de aves exóticas engripadas, os xailes de lã, os gorros coloridos. Subitamente vejo num poleiro uma toutinegra. Dirijo-me ao vendedor e repito: "S. Paulo na estrada para Damasco, a ETA no País Basco." O vendedor abriu a gaiola e a toutinegra voou, livre. Linda simbologia mas não tinhamos tempo para metáforas. "Depressa, vem comigo." Saímos e desaparecemos dali no pequeno furgão Dodge chei de penas e pássaros. "Põe estes adereços" Colei o bigode farto e pus umas tiras de fita-cola a esticar-me os olhos. "Agora vamos para a Loja do Chineses" "Também aqui?" "Sim, também aqui! São tantas que é a melhor maneira de ninguém desconfiar." Entrados na loja, acedemos a uma surpreendente cave. Nas paredes, colecções de Osgas emolduradas, uma camisola número sete do Deportivo Portalegrense e uma fotografia autografada dos gémeos Castro. Da boca de Dionísio Castro, saía um balão de fala, manuscrito: "Todos diferentes, todos iguais." O meu guia retirou a foto dos atletas da parede. Um nicho escavado na parede continha, para além do 'Manual de Sobrevivência do Agente Solitário', de Grão de Bico, um Código da Estrada já sujo e usado e um maço de folhas dactilografadas com letras da Tonicha encimado pelos êxitos "Tu és o Zé Que Fumas" e "Zumba na Caneca". Levantou as folhas e abriu a capa do "In Nomine Deo", do Saramago. "Aqui, coloca o Estatuto da Carreira Docente Universitária aqui dentro e retira a nova password." Guardei o talão e preparei o meu novo disfarce, a minha nova pele até Santiago. Ao fundo podia ouvir-se "O maestro da Charanga", cantado por Badaró. "É a minha sogra... não larga aquilo, já a levámos a todo o lado..." Não tinha tempo para sugestões terapêuticas para dependência de programas televisivos foleiros. Coloquei os óculos do Boloni no saco de recurso e vesti o meu fato de empreiteiro português a investir na América Latina: camisa Triple Marfel aberta, a mostrar os pêlos do peito, o já mencionado bigode, cordão de ouro a sair da camisa, barguilha semi-aberta. Lá fora esperava-me o adereço final: uma actriz venezuelana desempregada a fazer de prostituta. "Mas... é mesmo necessário?..." "Sim, eles não vêm cá só para investir, Toutinegra..." E tinha razão. Já no aeroporto, fui abordado por vários agentes imobiliários locais que me rodeavam puxando-me as roupas e dizendo "Constructor civil português, invista no meu empreendimento!!!" Espalhei uns pesos mexicanos pelo chão e eles precipitaram-se sobre eles. Pude ver, já ao longe, que se agrediam violentamente com os pesos, em especial o de quilo e meio mas um agente não sente remorsos, isso são fraquezas dos da colheita de 1969. Já no avião, pude ler a password: "Chouriço de Oriola, faquinha de ponta e mola." A actriz colocou a mão no meu colo e disse-me ao ouvido: "Faz parte do serviço." Deixou-me no colo, junto ao fecho entreaberto, uma pequena faca de ponta e mola. Faltava-me o chouriço de porco preto... Missões coordenadas pelo Arlindo Talhante... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-4511889442321740326?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/4511889442321740326/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=4511889442321740326' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/4511889442321740326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/4511889442321740326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2007/03/cheguei-quito-ainda-o-sol-no-dava-luz.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-1206346942163212885</id><published>2007-03-12T04:02:00.001-07:00</published><updated>2007-03-12T04:02:51.477-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Rumo à Patagónia Chilena! Primeira escala, Buenos Aires. Segunda escala, Quito. A ideia é andarmos sem grande lógica perto da área de destino de forma a reforçar a nossa 'cover' de turistas. Em Buenos Aires, para além do mais, tinha de recolher as palavras de activação junto de um agente local. Tinha sido agente do Maradona, no seu início de carreira, e era possível encontrá-lo nas imediações do estádio do Boca Juniors com uma écharpe cor-de-rosa ao pescoço, um cinto com uma fivela em cobre formando o número 10 e um nariz entupido de pó branco que ele garantiria tratar-se de farinha Branca de Neve. Estaria, além do mais, disfarçado de vendedor de contrafacções de refrigerantes americanos. Ao fundo, vislumbrei uma banca com latas de Poca Tola e Red Balls, este último com uma inscrição manuscrita num cartão:"Te va a dar alas". Aproximei-me e ele mostrou-me a écharpe e a fivela. "Javier?" "Si, soy jo!" "Mas... e esse sotaque?" "Tens razão, Toutinegra. Não consigo sotaque decente para o espanhol." Era Teodósio, o Melro, discípulo, como eu, do Grão de Bico mas da classe de 72, um ano fraco. "E as palavras de activação?" "Tens de beber uma Poca Tola primeiro." Bebi-a de um só trago! As latas falsificadas trazem pouco conteúdo. Soube-me a um misto de pomada para o hemorroidal com Água do Castello. "Está óptima!" "Sim, andamos a melhorá-la! Mas vamos ao que interessa. As palavras são: S. Paulo na Estrada para Damasco, a ETA no País Basco!" Achei estranho mas não se questionam passwords. Despedi-me, deixando-lhe em cima da banca dois pesos, um de duzentos gramas e outro de quilo. Agradeceu-me e disse-me para levar umas latas para a jornada. "Obrigado Melro, mas tu precisas mais do que eu, deixa estar." Vi umas lágrimas a inundarem-lhe os olhos, pura comoção, típico da malta de 72 e 87, anos fracos, muito fracos. Parti, sem mais demora. O Jeep que me deveria levar a Quito estava à minha espera. Coloquei os óculos que me permitiriam assumir o disfarce de dentista romeno convertido em treinador de futebol. Abri o meu bloco de notas e anotei, por cima do que, em tempos, Lazlo Boloni havia escrito, antes de mo oferecer: "Mandar ao Melro uma écharpe decente". Lembrei-me da forma como o Grão de Bico me apresentou o Boloni: "Toutinegra, nem dentista nem treinador de futebol, este senhor vai para o Sporting em breve. Sereis campeões." Não há coincidências... Nesse ano, Júlio Isidro planeava mais uma edição póstuma de 'O Passeio dos Alegres'... O mundo não dorme...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-1206346942163212885?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/1206346942163212885/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=1206346942163212885' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/1206346942163212885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/1206346942163212885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2007/03/rumo-patagnia-chilena-primeira-escala.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-221277961919833528</id><published>2007-03-12T04:01:00.000-07:00</published><updated>2007-03-12T04:02:23.059-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Jantei ontem com o Primeiro Ministro da Roménia. Foi uma noite fria, na qual procurei quebrar o gelo com uma prenda. Ofereci-lhe um exemplar de 'Equador' de Miguel Sousa Tavares. Quando ele se ía levantar da mesa, ofendido, eu disse-lhe: "Calma, excelência. Abra-o com cuidado. É a edição melhorada." Lá dentro uma biografia de Mourinho que não o tranquilizou. "Mas... é uma afronta!" "Calma, duas manobras de diversão não são demais. Abra agora." Lá dentro, o Já conhecido Estatuto da Carreira Docente Universitária. Ele acalmou-se e sorriu-me. "Portugal é um país amigo." Declarou esta amizade e pudemos passar à fase seguinte. Tínhamos agendada uma troca de prisioneiros e uma troca de cromos da Galp, da selecção nacional. Entregou-nos dois dos nossos agentes resgatados por Vassili Gogol no Lago de Tiberíades mediante a entrega dos cromos do Petit e do Luís Boa Morte. A saída em segurança do país custou-nos o Deco, o Quim e o contacto do barbeiro que trata do look ao Paulo Bento. No posto de fronteira detectei que um dos funcionário olhava para mim com insistência. O meu fato de Tirolês pô-lo de sobreaviso. Dirigiu-se a mim e disse-me: "Eusébio." "Impossível", negociei a saída com um cromo do Quaresma e uma fotografia autografada de Mário Jardel a snifar farinha Maizena no balneário. Tinha esgotado toda a minha 'poção mágica'. Era tempo de fugir ou, nas sábias palavras de Grão de Bico: "Após três ...intas, ou marcas golo ou passas a bola, ou ...odes ou sais de cima."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-221277961919833528?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/221277961919833528/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=221277961919833528' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/221277961919833528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/221277961919833528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2007/03/jantei-ontem-com-o-primeiro-ministro-da.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-7554605811689312564</id><published>2007-03-12T04:00:00.002-07:00</published><updated>2007-03-12T04:01:11.612-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Jamais poderei descrever o que senti no Quénia. A miséria, a pobreza nas ruas, os esgotos a céu aberto, cimenteiras em plenas zonas de parque natural, cópias de albuns da Madonna vendidas lado a lado com os quiabos, a mandioca e os livros do Paulo Coelho. Subitamente, vejo "Não há coincidências". Era a palavra-passe. Debrucei-me e sussurei ao vendedor: "Tenho boxers de latex e sinto os testículos apertados." Ele, sem levantar a cabeça disse-me: "Toutinegra..." "Sim, Júlio. Sou eu. Mas... essa cor de pele..." "Estava a torrar amendoins no forno e... descuidei-me. Vamos até minha casa." E assim foi. Era uma casa igual a todas as outras, pelo menos por fora. Lá dentro, uma fotografia autografada de Jorge Coelho, um busto de Vítor Baía e um quadro em relevo com Valentim Loureiro. Na cozinha, ouvia-se Toni Carreira. Era um pequeno Portugal em pleno continente Africano. Senti-me em casa e disse-lhe "Cheira-me a bacalhau, como o conseguiste aqui?" Respondeu-me que, com o calor e a falta de água qualquer agente cheira ao fiel amigo. Em seguida levantou-se, deu-me um exemplar do livro de Margarida Rebelo Pinto e disse-me: "Não há coincidências, esperava-te há dois dias. Abre-o com cuidado, é a edição melhorada." Abri a capa e, no lugar do empolgante texto, estava um exemplar do Estatuto da Carreira Docente Universitária. Esbocei um protesto e ele disse-me, colocando a sua mão no meu ombro: "O Grão de Bico recebeu o Código da Estrada e sobreviveu." E tinha razão. Recebera-o das mãos de Américo Tomás, com a capa da 'Peregrinação'. Esteve três anos fora e o mundo nunca mais foi o mesmo. Cruzámo-nos um dia em Oslo. Ele ía disfarçado de domador de lontras e eu de cozinheiro moldavo. Olhei-o fugazmente mas nem falámos. No chão, um recibo da Mercearia Central, em Castelo Branco. No verso, as palavras: "Dois sabonetes de sardinha assada, um soutien de renda, uma bisnaga de Pasta Medicinal Couto, um litro de grão de bico" Senti um arrepio percorrer-me de alto a baixo com uma paragem pelo meio. Nesse ano, António Calvário lançava mais um disco... Não há coincidências.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-7554605811689312564?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/7554605811689312564/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=7554605811689312564' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/7554605811689312564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/7554605811689312564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2007/03/jamais-poderei-descrever-o-que-senti-no.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-3126557266859435908</id><published>2007-03-12T04:00:00.001-07:00</published><updated>2007-03-12T04:00:30.323-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Aterrar em Lisboa, depois de uma semana brutal no Quénia fez-me sentir um homem novo. &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Aquele agente do Togo disfarçado de vendedor de ursinhos de goma deixou-me de sobreaviso. Tinha sido ele quem, em tempos, tinha vendido calças de contrafacção ao Agostinho Neto e isso provocou a crise que todos conhecemos. A velha estória do Pau-de-Cabinda foi apenas uma manobra de diversão. Comprei um pacotinho de gomas e disse, enquanto recebia o troco, "I'll blow your cover if you dont get the fuck out of here." Reparei como calmamente arrumou as coisas e desapareceu. No seu lugar uma mensagem encriptada. Apanhei-a discretamente e li-a na casa de banho do aeroporto. Era um talão do Pingo Doce e eu sabia o que ele me queria dizer com isto: 'o sítio do costume'. Dirigi-me para a bilheteira da TAP e murmurei: "Arlindo, a tua sogra é uma bezerra." Em dois minutos tinha na minha mão um bilhete para 'o sítio do costume', sem check in. Puseram-mo na mão e ouvi as palavras de activação da missão: "Temos gelatina de framboesa na sanita mas não é para os teus beiços, seu boi charolês." Sabia que não tinha um segundo a perder. Lembrei-me das palavras do Grão de Bico ao deixar este mundo com uma crise de fígado provocada por caviar envenenado, oferta do A. Shevshenko, prova de que não é apenas o peixe que morre pela boca: "Tout..i...negra... Pira-te en..quanto ahh...odes." &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-3126557266859435908?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/3126557266859435908/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=3126557266859435908' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/3126557266859435908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/3126557266859435908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2007/03/aterrar-em-lisboa-depois-de-uma-semana.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7139110658751051647.post-7115164568283752660</id><published>2007-03-12T03:58:00.000-07:00</published><updated>2009-08-28T09:23:49.197-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Acordei certo dia com a noção de que me tinham roubado as lentes de contacto. E era verdade! Não via ponta de um corno! Desde que tinha regressado da Síria que me sentia tonto na altura de saltar da cama mas nunca fui gajo de me negar ao trabalho. Felizmente tinha os óculos suplentes debaixo da cama. As lentes eram de 1973, ainda do Tempo da Outra Senhora. Foram-me dados nessa altura por um estivador que conheci no cais de Roterdão. Perguntei-lhe quem era e ele disse-me que era um agente da CIA em trânsito para Leninegrado. Era ele mesmo. O seu nome era Bico, Grão de Bico, o icone da espionagem moderna estava ali, a meu lado, e disse-me: "Queres bilhetes para o concerto do Santana?" Aceitei. "Este Santana ainda vai longe", disse-me. Não chegou a vê-lo Primeiro Ministro mas o Grão de Bico nunca precisou de ver tudo...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7139110658751051647-7115164568283752660?l=toutinegra-futurista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/feeds/7115164568283752660/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7139110658751051647&amp;postID=7115164568283752660' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/7115164568283752660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7139110658751051647/posts/default/7115164568283752660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://toutinegra-futurista.blogspot.com/2007/03/acordei-certo-dia-com-noo-de-que-me.html' title=''/><author><name>Toutinegra Futurista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04073108353668751237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
